Um terço de tudo o que Moçambique compra à UE tem origem em Portugal, segundo dados de 2020 do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano, os mais recentes disponíveis.

Medicamentos, reagentes para diagnóstico e laboratório, trigo, centeio e materiais de construção são os principais produtos portugueses a chegar à costa do Índico num total de cerca de 230 milhões de euros em 2020.

No sentido inverso, mais de metade do que Portugal compra a Moçambique são mariscos, com um total de 22 milhões de euros em 2020, sexto entre os países da UE de destino das exportações moçambicanas.

A anterior cimeira entre os dois países foi em 2019 e na altura o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu o reforço das relações económicas com Portugal.

Pediu formação e investimento na transformação das matérias-primas do país, para as valorizar.

Na mesma altura, António Carlos Silva, administrador da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), dizia que as relações económicas entre Portugal e Moçambique estavam aquém do potencial.

Era um “desafio”, mas ficou por enfrentar, porque entretanto quase tudo parou, para fazer face à covid-19.

A comitiva governamental portuguesa liderada pelo primeiro-ministro, António Costa, vai estar hoje e sexta-feira num país lusófono onde antes da pandemia havia cerca de 600 empresas portuguesas, sobretudo de pequena e média dimensão – o país com mais firmas portuguesas, depois de Angola.

Os dois principais bancos moçambicanos, Millennium e BCI, são detidos pela banca portuguesa e outras grandes marcas têm notoriedade nos combustíveis, hotelaria e construção, entre outros setores.

Moçambique continua a ser um dos países mais pobres do mundo, onde grande parte das expetativas para quem faz negócios permanece na esperança do avanço da exploração de gás natural.

Só que os ataques armados no norte têm obrigado os investidores a adiar os principais projetos.

Ainda assim, no meio da incerteza, as perspetivas são de aceleração do crescimento económico em Moçambique.

Na mais recente análise ao país, publicada na sexta-feira, a agência de notação financeira Fitch subiu o ‘rating’ de Moçambique de CCC para CCC+, prevendo que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) “acelere para 7,7% em 2024 e permaneça alto até 2026”.

O primeiro-ministro António Costa e o Presidente moçambicano Filipe Nyusi lideram as delegações na V Cimeira Moçambique-Portugal, marcada para hoje, em Maputo.

O fórum de negócios entre os dois países vai decorrer na sexta-feira, durante a Feira Internacional de Maputo (Facim), o principal certame de atividades económicas do país, igualmente com a presença de Nyusi e Costa.

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