“A 30 de junho [de 2016] foram recebidas quatro propostas no processo de venda estratégica e uma para uma eventual venda em mercado. Eram propostas muito diferentes”, afirmou o responsável durante a sua audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA).

Segundo Sérgio Monteiro, “havia propostas muito concretas em termos de conteúdo, ainda que dependentes de uma ‘due diligence’ [diligência prévia] confirmatória final. Duas delas já faziam uma primeira aproximação da valorização” do Novo Banco.

“Outra proposta, sendo bastante completa, não atribuía valor ao banco. Fazia um julgamento do ponto de vista qualitativo e disponibilizava-se a fazer mais trabalho exploratório relativamente ao mesmo”, acrescentou Sérgio Monteiro, avançando que “uma quarta proposta queria partes de ativos e passivos”.

Ou seja, “o Fundo de Resolução ficaria com 100% menos ‘x’ do banco porque havia interesse no ativo e no passivo”, sublinhou.

Segundo o responsável, “houve duas entidades que decidiram fazer mais trabalho exploratório, um ‘private equity’ [capital de risco] e uma entidade bancária”.

Na altura, foi noticiado que as quatro entidades interessadas na venda estratégica eram a Lone Star, o consórcio Apollo/Centerbridge, e os bancos BCP e BPI. Já o China Minsheng Bank estava a correr no âmbito da venda em mercado.

Depois, em 04 de novembro, “as mesmas quatro entidades voltaram a mostrar interesse”, afirmou, frisando que, após esta data, estava estipulado nas regras que as propostas tinham 60 dias de validade.

“Entre 04 de novembro e 04 de janeiro procurámos retirar elementos de condicionalidade das propostas que pareciam mais promissoras para prosseguir. Embora houvesse uma entidade que estava mais bem posicionada do que as outras (era uma proposta que podíamos dizer que era firme), tinha elementos de condicionalidade que a tornavam inaceitável para o Estado português”, adiantou.

O responsável explicou que “as outras propostas estavam ainda dependentes de [outras] condicionalidades”.

E realçou: “Até 17 de fevereiro foi tentado fazer melhorias nas quatro propostas. Nós não estamos sozinhos nas decisões. O supervisor europeu queria um banco robusto, isto, face aos novos requisitos de capital que metiam o banco debaixo de alguma pressão”.

O responsável assinalou que foi feito “um nível de reporte exemplar a todas as entidades”, apontando para a manutenção de contactos regulares com o Governo, com o Banco Central Europeu (BCE) e com a Direção Geral da Concorrência (DG Comp) da Comissão Europeia.

“Acautelar o interesse nacional era o nosso objetivo”, destacou, admitindo que, a partir de certa altura, surgiu “um problema de concorrência, já que um investidor estava sozinho” ao nível da existência de uma proposta firme.

Sérgio Monteiro apontou também para as “constantes promessas de um investidor que dizia sempre que para a semana entregava uma proposta firme”, numa referência ao consórcio Apollo/Centerbridge.

“A 15 de fevereiro comunicaram-nos que tinham ainda que receber do banco mais informação. E que acreditavam que iam recebê-la até 24 de fevereiro. Depois dessa data, pediam mais seis a oito semanas” para formalizar uma proposta firme, adiantou.

“Entendemos que já não era crível que mais tempo desse lugar a uma melhor proposta. Decidimos então iniciar negociações exclusivas com a Lone Star, sem nunca afastar os outros, que a qualquer momento poderiam ser repescados”, revelou o gestor.

“A única proposta viável para aceitar era a Lone Star”, assinalou Sérgio Monteiro.

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