“Os trabalhadores estão destroçados psicologicamente, mas vão seguir para tribunal e continuar a lutar pelos postos de trabalho”, afirmou a fonte, segundo a qual a posição dos funcionários abrangidos “foi sempre a mesma: manter o seu posto de trabalho nunca recusando qualquer tipo de mobilidade interna”.

Em 10 de maio, quando foi anunciado o despedimento coletivo dos 21 trabalhadores da área de transformadores de potência da Efacec, a administração da empresa de Matosinhos disse ter avançado com a medida, porque os visados recusaram as “soluções de mobilidade e rescisões por mútuo acordo” que lhes foram propostas.

Em comunicado, a Efacec explicou que estes 21 colaboradores “não aceitaram as propostas da empresa, alguns deles recusando-se inclusive a conhecê-las”, pelo que, “esgotadas todas as alternativas consensuais possíveis, a empresa não tem outra alternativa que não seja utilizar os mecanismos previstos na lei para garantir a sustentabilidade da área dos transformadores de potência”.

Em declarações à agência Lusa, fonte da Comissão de Trabalhadores (CT) da Efacec garantiu hoje, contudo, que a posição da empresa foi de “intransigência durante todo o processo” e que “as alternativas apresentadas foram a rescisão do contrato ou o despedimento coletivo”.

“O medo impera na Efacec, os representantes dos trabalhadores estão a ser constantemente vigiados e é um ambiente indescritível”, afirmou.

De acordo com a fonte, o processo de despedimento coletivo foi dado “como concluído” pela administração da empresa no passado dia 04 de junho, sendo que “nenhum dos trabalhadores envolvidos aceitou” a medida, já que “sempre acharam que a Efacec tinha possibilidade de os realocar noutras unidades de negócio”.

“Para a comunicação social a administração diz que os trabalhadores recusaram as alternativas que lhes foram propostas, que não quiseram sequer ouvi-las e que está disposta a realocá-los, quer é que eles conversem com ela”, sustenta a CT, garantindo, contudo, que tal não corresponde à verdade.

Segundo os representantes dos trabalhadores, “algumas das bandeiras desta administração” são a “transparência, ética, responsabilidade social e disciplina”, mas “tudo isto contraria o que se vive” na empresa: “Existe falta de informação, não fornecem as atas das reuniões, há pressões, ação persecutória e chantagens”, garante, acrescentando que, “para manter a disciplina, recorreu-se à contratação de segurança privada, fazendo lembrar 1958, um período histórico da Efacec”.

Ainda criticada pela CT é a celebração, agendada para sábado, do “Dia da Família” na empresa, no âmbito do qual terão sido contratados “a banda HMB, bailarinos, palhaços, DJ, Street Food & Guloseimas, insufláveis e outras surpresas”.

“Esperemos que dentro das surpresas não esteja mais um despedimento coletivo ou, como a administração gosta de anunciar, mais um ‘ajustamento'”, sustenta, acrescentando que “estas ‘festas – que considera não serem ‘mais do que limpezas de imagem’ – têm custos” injustificáveis “numa altura em que em nome da sustentabilidade financeira se despedem 21 trabalhadores”.

Num comunicado divulgado em 10 de maio, a Efacec recordou que “em março a Efacec Energia iniciou um processo de ajustamento na área de transformadores de potência — onde se registou uma quebra de encomendas de 33% e uma redução de 125% nos resultados operacionais entre 2013 e 2017 — que envolveu 49 colaboradores”.

No âmbito deste processo, “a Efacec Energia chegou a um acordo com 28 colaboradores que aceitaram as condições propostas pela empresa e que envolviam soluções de mobilidade e rescisões por mútuo acordo”, sendo que “11 aceitaram novas funções no âmbito da mobilidade interna ou para outra empresa do grupo com maior nível de empregabilidade e 17 optaram pelo plano social de rescisão proposto”.

Salientando que “o ajustamento na área de transformadores de potência foi conduzido com base em critérios objetivos, rigorosos e imparciais”, a Efacec diz terem sido “abordados os colaboradores cujas funções se extinguem ou que apresentam um maior custo”.

De acordo com a Efacec, este despedimento coletivo é “uma situação muito concreta, sem qualquer impacto em outra unidade organizacional do Grupo Efacec”, sendo que “todos os demais colaboradores têm os seus postos de trabalho assegurados”.

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