Em declarações à agência Lusa após o plenário, que decorreu esta manhã, o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab) José Eduardo Andrade disse que a administração da Super Bock se manifestou hoje disponível para retomar as negociações, tendo ficado já agendada uma reunião para a próxima sexta-feira.

“Os trabalhadores vão honrar o compromisso de aguardar pelo resultado das negociações” antes de decidirem eventuais novas formas de luta, acrescentou.

Os trabalhadores da Super Bock Bebidas estiveram em greve entre as 20:00 da passada segunda-feira e as 20:00 de quarta-feira, em protesto contra os aumentos salariais de "0%” propostos pela administração.

A esta greve seguiu-se um terceiro dia de paralisação, no feriado de 10 de junho, no âmbito da já duradoura greve em vigor ao trabalho suplementar.

Contactado pela Lusa, o Super Bock Group lamentou esta “terceira greve no espaço de seis meses”, considerando tratar-se de “uma posição incompreensível dado o contexto que o país ainda atravessa (com confinamento geral durante 2,5 meses, a contração do mercado de cerveja em Portugal e a incerteza quanto ao regresso a uma normalidade)”.

De acordo com o Sintab, durante os dias da greve a adesão foi “superior a 80%”, tendo a área de produção estado parada e apenas trabalhado duas das seis linhas de enchimento.

O processo de negociação das propostas de atualização do Acordo Coletivo do Trabalho, nomeadamente a relativa aos aumentos salariais, arrancou em 12 de fevereiro passado, tendo os sindicatos representativos dos trabalhadores da Super Bock (Sintab e Sinticaba) entregado a respetiva proposta à administração da empresa.

Segundo a Comissão de Trabalhadores (CT) da Super Bock, “dessa reunião saiu uma clara e inequívoca intenção, por parte da Super Bock, de não negociar as propostas apresentadas pelos sindicatos”, avançando com “um aumento de 0%”, sendo que, “após essa data”, a empresa “não mais se mostrou disponível para voltar à mesa das negociações”.

À Lusa, a empresa garantiu, contudo, que se mantém, “tal como sempre se manteve, disponível para retomar o processo negocial com os sindicatos, aguardando por parte destes igual disponibilidade”.

A CT acusa ainda a Super Bock de aplicar “vários regimes de horários desregulados, há muito tempo anunciados, na área industrial, fazendo com que os trabalhadores vissem os seus rendimentos reduzidos e as suas vidas, social e familiar, afetadas”.

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