Se Nikki Haley  não conseguir, nesta terça-feira, no estado do New Hampshire, uma grande votação que a coloque ombro a ombro com Donald Trump, ficam praticamente esgotadas as possibilidades de ainda haver uma corrida competitiva na escolha do candidato republicano que em novembro vai discutir com Joe Biden a presidência dos EUA.

A única candidata que está a desafiar Trump no campo republicano está a jogar todos os quatro trunfos de que dispõe no argumentário; credibilidade, idade, saúde e Putin.

Putin é a última cartada. A candidata que tem no currículo ter sido escolhida por Trump escolheu para embaixadora dos Estados Unidos na ONU (e que agora a desqualifica) passou à etapa em que declara aos americanos que Donald é o preferido do Kremlin. Há quem neste fim de semana  lhe tenha colocado a pergunta (“Acha que a eleição de Trump é o desejo de Putin?) numa entrevista neste fim de semana e Haley responde: “Penso que si, Acho mesmo que sim”.

A credibilidade do candidato Trump esta a ser outra linha de ataque da aspirante Nikki Haley que na mesma entrevista a uma rádio de Derry, no New Hampshire, disparou: “Trump mente sobre tudo , em cada um dos inúmeros spots de campanha. Se para vencer precisa de mentir, não merece vencer.”

Nikki Haley, a única republicana ainda a enfrentar Donald Trump nas eleições internas no partido Republicano, recorreu aos pais dela para colocar a questão da idade e da saúde: “Amo os meus pais com todo o meu coração, mas vejo como estão a perder capacidades por causa da idade. Recorrem muitas vezes ao médico porque quem é geronte precisa de orientações sobre repouso e recuperação de energia”. Haley quis ser mais incisiva: “Ontem, Donald Trump, ao querer referir-se a mim chamou-me Nancy Pelosi [o nome da veterana ex-líder dos democratas no Congresso dos EUA]. Já várias vezes o ouvimos confuso. Se faz confusões assim, ficamos a pensar se está em condições para ser presidente da nação americana, primeira superpotência mundial.”

Haley, com 51 anos celebrados no sábado, procura seduzir os eleitores incomodados com a perspetiva de em 5 de novembro terem de escolher entre um candidato com 78 anos de idade (Trump) e outro com 82 (Biden).  A idade avançada proporciona sabedoria, mas gera estranheza que um país tão grande não tenha a alternativa eleitoral de representação por uma geração mais jovem.

Não se vê que Nikki Haley possa resistir à poderosa máquina eleitoral de Donald Trump. 

O que o arranque da campanha presidencial nos EUA  (por enquanto apenas com as primárias  no lado republicano) está a mostrar é que em vez de teatro político há circo populista. O candidato dominante (Trump), em vez de ideias e argumentos, exibe o carácter com transbordante agressividade e falta de respeito pelo opositor que é remetido para o lugar de desprezível inimigo.

A campanha eleitoral nos EUA, quando a seguir ao verão entrar na fase decisiva, está destinada a aparecer muito envenenada. De um lado, um veterano político liberal-democrata que se coloca como o defensor dos valores da democracia americana, do outro o candidato do extremismo populista assente no ódio das elites e a explorar descontentamentos e ressentimentos.

Há nos EUA quem lastime: não sobreviveremos a uma outra presidência Trump e não sairemos satisfeitos com outra presidência Biden. A ameaça é a de os EUA entrarem em post-democracia.

 

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