Esses apoiantes obstinados desprezam que Donald seja réu adúltero, o que valorizam é a confiança nele para impor a proibição de qualquer forma de aborto nos EUA,  para cortar os direitos das comunidades homossexuais, para reduzir impostos, para levantar muros severos à imigração, para defender a América cada vez mais branca, para que ponha fim a guerras culturais e à proteção de minorias nas escolas, para que o país se alheie, cada vez mais isolacionista, do que se passa no resto do mundo, seja na Europa ou no Médio Oriente. Também para que os invasores golpistas do Congresso dos EUA em 6 de janeiro de 2021 passem de condenados a heróis.

Está em curso uma nunca vista mutação na identidade do partido Republicano nos EUA. O partido que era o representante da prudência conservadora e da liderança financeira, agora é uma vanguarda da revolução contra o “establishment” do país. 

O partido Republicano dos EUA tem na história líderes marcantes como Dwight Eisenhower (moderado em tudo) e Ronald Reagan (um radical com voz melíflua). Nos traços de caráter de Donald Trump tudo é o oposto: em vez de moderação há sempre agressividade e desconsideração dos adversários, em vez de suavidade há radicalismo e muitas vezes violência no discurso.

Trump vai certamente acumular triunfos nas diferentes etapas das primárias republicanas ao longo dos próximos seis meses até ao congresso que em julho vai formalizar a investidura como candidato do partido. Não é, no entanto, desprezível, saber quem se coloca no segundo lugar desta corrida em que duas candidaturas concorrem com Trump: a de Nikki Halley, ex-governadora da Carolina do Sul e ex-embaixadora dos EUA na ONU, e a de Ron DeSantis, governador da Florida. Haley sai dececionada do voto rural urbano e suburbano no Iowa, onde foi superada, embora tangencialmente, por DeSantis. A etapa seguinte das primárias, a votação na próxima semana no New Hampshire, onde Haley está com boa cotação, pode ajudar a clarificar se há uma clara segunda colocação na corrida republicana. Este segundo lugar pode vir a ser um recurso principal, caso aconteça alguma (improvável) surpresa vinda da muito carregada agenda judiciária de Trump, a contas com 4 processos judiciais com 91 acusações por prática criminosa. Não se vislumbra que esteja pela frente o impedimento de Donald Trump, mas não é impossível.

O cenário mais provável é o de, após quase um ano de campanha eleitoral muito agreste, duelo presidencial definitivo, em 5 de novembro, entre dois gerontes: Donald Trump, com 77 anos, e Joe Biden, com 81.

Biden não tem rival de peso na corrida pela investidura pelo partido Democrata. Este pode ser um problema para a mobilização de eleitores na metade da América que não é das direitas. É que Biden não entusiasma muito eleitorado democrata, designadamente os mais novos.

Para muitos democratas, o impulso mobilizador vai ser o de barrar o retorno de Donald Trump. 

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