(Nota prévia - sobre António Guterres, escrevi aqui, há dois meses, quando o processo de candidatura à liderança da ONU ia no adro: “António Guterres foi, mesmo nos seus piores momentos enquanto dirigente politico em Portugal, um homem que quis servir. Quis servir os portugueses (nem sempre bem, é verdade…), saiu de cena quando se viu sem condições para continuar, mas demonstrou ao que vinha quando se dedicou ao drama dos refugiados nas Nações Unidas. Nunca se serviu, sempre serviu”. Fico feliz por saber que venceu a batota de última hora e vai mesmo servir todos, globalmente. Nada mais a dizer. Os parabéns são todos dele.)

Estava a ler a coisa - nomeadamente a ideia do imposto sobre o açúcar, com o pressuposto de que se trata de um bem para a saúde pública… -  e imaginei uma start-up, tive um laivo de empreendedorismo: criar uma empresa para a invenção de novos impostos!

Tratava-se de um negócio suprapartidário, que funcionaria como as empresas de comunicação. Assim chegasse cliente, assim faríamos fato à medida. Disponível para inventar, recriar, fazer renascer ou apenas implementar toda a espécie de novos impostos indirectos. O cliente determinaria se seriam mais ou menos indolores, discretos, escondidos, fingidos ou descarados. Estaríamos aqui para servir!

Num ápice, inventei cinco novas taxas, cobranças e impostos que, com jeitinho, ainda vão a tempo de servir a “Geringonça” (gratuitamente, nesta fase de “lançamento” da empresa que estou a pensar abrir). A saber…

Um. Imposto sobre o animal doméstico - Sendo certo que a existência de um animal em casa pressupõe determinados custos para a comunidade, seja o cocó que alguns se esquecem de apanhar ou o latido nocturno que incomoda, não falando nos pêlos que pairam pelo ar e podem fazer crescer as doenças respiratórias (logo, os custos do Serviço Nacional de Saúde), uma pequena taxa anual por cada animal de companhia não custa nada e serve todos…

Dois. Taxa pela utilização dos passeios para correr - A moda das corridas parece instalada. Nada contra. Mas talvez o Governo pudesse obrigar as empresas que vendem ténis a cobrar uma taxa (10%?) sobre o preço de venda das sapatilhas, que reverteria para a manutenção dos passeios e cobria alguns acidentes que a correria possa provocar nos atletas.

Três. Taxa sobre o gelo na restauração - A transformação da água em gelo para bebidas, nos bares e restaurantes, reflecte um consumo de energia que não deve passar em claro. Cobrar meia dúzia de cêntimos pelo gelo consumido parece-me razoável.

Quatro. Imposto sobre o ruído nos jogos de futebol (em caso de golo) - Um pequeno estipendio pelo ruído provocado pelos adeptos, sempre que há um golo num jogo das duas ligas principais. Pode ser imputado ao clube, que por sua vez decide se o faz recair sobre os sócios

Cinco. Taxa sobre a permanência em esplanada - É de elementar justiça que o cliente de uma esplanada pague sobre o ar que respira, a vista de que usufrui, e o ambiente que lhe é concedido. Independentemente de se tratar de uma rua de Chelas ou de um bar à beira Tejo, seria uma taxa justa.

Em escassos minutos, cinco impostos indirectos. Digam-me lá se não é um negócio útil e com futuro? E ainda dizem que Portugal é um país com falta de oportunidades…

Três ideias que inspiram mesmo…

Começa hoje e vai até domingo, na Casa das Histórias / Paula Rego, em Cascais. Trata-se do sonho de uma portuguesa, Mariana Santos, em juntar esforços para que mais mulheres chegassem ao jornalismo, às novas tecnologias, ao mundo digital. É um encontro aberto a todos sobre empreendedorismo, comunicação, vida em rede. Ela criou a marca “Chicas Poderosas”, que já é uma ONG, depois de andar pelo mundo e ver que os homens dominavam este universo. O jornal The Guardian, onde trabalhou vários anos, foi a mola que tornou o movimento imparável. E já não apenas de mulheres.

Kim Sawyer, embaixatriz dos EUA em Portugal, quis deixar a sua marca como mulher e como empreendedora. Criou o projecto Connect to Success, e ele cresce todos os dias. Este fim-de-semana chega aos Açores!

A concretizar-se este anúncio - estamos em período pré-eleitoral, todos os cuidados são poucos… - mais 150 quilómetros para circular em Lisboa de bicicleta constituem um passo de gigante na regeneração da cidade, que parece embelezar-se sem cuidar de garantir a mobilidade consequente. A degradação do metro é um desastre sem explicação, e a maioria dos lisboetas desconfia das obras de fachada. Inspirador, mas a confirmar…

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