Graças às vacinas, doenças que no passado causaram enorme sofrimento e milhões de mortes tornaram-se raras ou estão eliminadas. É o caso da varíola, da poliomielite ou da difteria. A tuberculose, transmitida pelo bacilo de Koch, que continua a ser a doença infecciosa que mais mata pelo mundo – mais de 1,5 milhões de óbitos em 2018, dados da OMS – tem sido muito atenuada através da vacina, ainda assumidamente com efeitos limitados perante algumas das variedades de tuberculose.

As vacinas são arma vital para defender a saúde. Está descrito que cada uma das vacinas tem demorado vários anos para ser conseguida.

A vacina contra a poliomielite demorou 47 anos até ser conseguida. Foram 33 anos para a do papilomavírus. Contra o vírus HIV da SIDA ainda não há vacina. Esta realidade leva a entender a apreensão de muitas pessoas que se perguntam como é possível que várias vacinas contra este SARS-CoV-2 estejam a ser dadas como válidas ao cabo de apenas alguns meses (obviamente não entram nesta compreensão os absurdos idiotas negacionistas como os que especulam com a mutação, por efeito da vacina, do ADN humano para o do jacaré).

Há que ter em conta que para enfrentar este coronavírus foram mobilizados esforços como nunca aconteceu. Houve determinação política para apoiar, com máxima urgência, não olhando a custos, os extraordinários esforços da comunidade científica. Também houve coordenação e cooperação aberta e intensa entre laboratórios e centros de investigação, mesmo os ligados a interesses comerciais farmacêuticos concorrentes.

Os muitos recursos e o muito dinheiro para ser conseguida vacina contra a SARS-CoV-2 não explicam tudo. Os cientistas já nos explicaram que este coronavírus é, apesar das variantes, muito menos complexo e mais estável do que outros vírus, por exemplo o HIV.

Sabemos que as vacinas imitam o vírus que visam, proporcionando ao nosso organismo que fique capaz de produzir anticorpos que eliminem o vírus. É o antigénio da vacina.

A história ensina-nos que sempre houve desconfianças iniciais perante cada vacina. Embora a comunidade científica, tal como a sanitária (médica e de enfermagem), garanta, sem ponta de dúvida, que a vacinação é o modo mais eficaz para prevenção de doenças infecciosas.

Quando em 6 de julho de 1886 o químico e microbiologista francês Louis Pasteur, injetou em Joseph, um rapaz com 9 anos, que tinha acabado de sofrer 15 mordeduras de um cão raivoso, o cientista francês que hoje dá nome a uns 30 laboratórios pelo mundo, estava a inventar a vacina aplicável em humanos. Nesse tempo, Pasteur arriscou, tanto que contou ter acumulado noites de insónia enquanto, em dias sucessivos, fez as 13 aplicações da injeção (vacina) em Joseph. Pasteur tinha testado aquele composto em animais, nunca tinha verificado os efeitos em humanos. No ano seguinte aplicou o mesmo composto a 726 pessoas que tinham sido mordidas por cães raivosos. Apenas quatro contraíram a doença. Aquela percentagem mínima serviu para validar o composto anti-raiva produzido no laboratório de Pasteur.

Chamou-lhe vacina humana, em homenagem à investigação do inglês Edward Jenner que, quase 100 anos antes tinha conseguido a vacina para a varíola das vacas.

Com o caminho percorrido de Jenner para Pasteur ficaram abertas extraordinárias conquistas para a saúde.

Hoje, todas as vacinas passam por minuciosos controlos científicos e sanitários, com provas e contraprovas, antes de serem validadas para aplicação em humanos.

Há países e zonas do mundo que por serem pobres ainda continuam a ter escasso acesso a vacinas que são caras. É uma realidade que nos faz pensar, em regiões ricas, se ainda temos dúvidas sobre essa prática, que também é um exercício de solidariedade, de tomar a vacina.

Há nestes últimos meses quem questione os interesses comerciais da indústria farmacêutica na competição desenfreada por esta vacina para a Covid-19. Talvez tenha havido manobras comerciais, não sei, faltam-me dados para analisar.

O que é uma evidência é que há o aval das mais exigentes autoridades científicas de controlo para a validação das vacinas que já estão a ser aplicadas para prevenção deste coronavírus.

Aqui estou de braço no ar à espera da minha vez para ser vacinado. Devo ter de esperar uns meses e, face à disponibilidade de vacinas, parece-me bem que assim seja. Há prioridades que devem ser respeitadas, tranquilamente, sem politiquices.

Sei que por regra, na maior parte das situações da vida não há risco zero, mas tenho confiança máxima nesta vacina e na condução do processo de vacinação.

É por isso que escolho vacina como palavra do ano, aliás numa dupla esperança: a que passa pelo efeito libertador da vacina, e a que decorre do efeito salva-vidas da bazuca que é o Recovery Fund da União Europeia para dar fôlego à economia que serve as pessoas. São instrumentos indispensáveis para nos libertarmos da angústia e do estado de necessidade e podermos reencontrar e voltar a planear o futuro.

A TER EM CONTA:

Ao mesmo tempo que estamos mobilizados para neutralizar a pandemia, há que não deixar para trás o combate às alterações climáticas nos mais diferentes domínios.

O ano 2020 em imagens e os bastidores dessas fotografias. Também em sons.

Duas primeiras páginas escolhidas hoje: esta e esta.

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