Adoro o cheiro a cocó da minha cadela, na minha cozinha de manhã, porque é sinal que já não a tenho de levar à rua. Começa a ficar frio e apetece menos andar a passear o bicho a ver se faz exercício e satisfaz as suas necessidades fisiológicas.

Muitas pessoas consideram passear o cão a parte mais chata de ter um animal de companhia, mas a mim dá-me jeito porque acaba por ser um momento introspeção e de observação do comportamento de outros donos de animais. Percebe-se, facilmente, quem está a passear o cão por gosto e quem apenas o foi levar a fazer as necessidades e mal ele as faz, volta logo para casa. O cão começa a perceber e a pensar «Espera lá, eu sou muito lindo quando faço cocó na rua, mas a minha recompensa é ir logo para casa sem passear mais? Espera lá que para a próxima já te digo...».

O ninja desajeitado é um tipo de dono que acha ninguém percebeu que o cão acabou de efetuar uma excelsa poia no passeio e que ele começou a correr com o cão para não ter de apanhar o cocó, mas eu reparei. Reparei porque também já o fiz, infelizmente. Esqueci-me de levar saco de plástico para apanhar e dou por mim numa situação complicada ao ver pessoas a passar por mim enquanto a cadela está a evacuar. Meto as mãos em todos os bolsos, fingindo procurar aquilo que já sei que não tenho, e suspiro uns «Epá… esqueci-me.», para que todos oiçam que aquele cocó será obra do esquecimento e não da falta de civismo. Nisto, espero que essas se afastem, olho para ambos os lados a ver se a costa está livre e digo um decidido «Vamos para casa, Zaya!» e ando em passo apressado, pelo menos, até virar a esquina.

Há aqueles donos que passam a vida a refilar com o seu cão. Falam com ele como se percebesse tudo o que ele diz. Normalmente, são homens na casa dos 50 anos que, claramente, acabaram de discutir em casa com a mulher sobre quem levaria o Lulu à rua. Então, o senhor acaba por descarregar a raiva no cão e vai, constantemente, a dar ordens: «Vá, faz aí!»; «Vá, caga ali!»; «Não cheires isso! Não comas aquilo!»; «Vê lá se queres apanhar!». O cão, como todos os cães, não percebe muito bem português e ignora.

Há, ainda, o que dá ordens inúteis e vai constantemente a dizer ao cão para ir devagar, mas o cão vai a puxar como se aquilo fosse uma corrida de trenó e lhe tivessem prometido leitão se fosse o primeiro a cortar a meta. O dono vai de arrasto e pondera começar a levar patins de cada vez que vai à rua, mas vai dando ordens como se o cão lhe ligasse alguma coisa. «Devagar, Boris… isso!», «Não puxa! Não puxa!» e nada. O cão lá continua a puxar à beira do estrangulamento, com os olhos quase a saltar das órbitas como se estivesse atrasado para chegar a algum lado.

Finalmente, há sempre o gajo meio hippie que anda com o cão sem trela porque os animais deviam ser livres e são seres espirituais e essas coisas todas, mas cujo controlo que têm sobre o animal é zero. Chamam, dizem para estar quieto e nada, o cão lá continua a arriscar a vida tentando cheirar o esfíncter da minha cadela enquanto eu pondero dar um pontapé no cão ou no dono.

Pessoal, mesmo que tenham controlo no vosso cão, usem trela, até porque um dia será atropelado e depois choram e dizem «Ele obedecia sempre…». Pois, olha ele agora a fazer de morto tão bem.

Sugestões e dicas de vida completamente imparciais:

Esta semana continua a minha tour de stand-up comedy em Faro, dia 23 no Teatro das Figuras, e no Funchal, dia 25 no Centro de Congressos da Madeira. Apareçam.

Dia 16 de Janeiro, vou estar presente no primeiro grande espetáculo de STAND Up Comedy solidário realizado em Portugal, cujas receitas revertem na totalidade para a Fundação do Gil. Bilhetes neste link.

Quem quiser perder umas horas de sono, Mindhunter e Ozark são as séries que ando a papar no Netflix e aconselho.

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