É ele quem decide sobre temas como a saúde, a educação, o trabalho, a juventude, o idoso, até mesmo a pluralidade cultural. Olhando cartazes, ouvindo discursos e debates, lendo redes sociais, julgo que podemos dispensar o Governo central de António Costa, a "geringonça" e até mesmo o eterno primeiro-ministro Passos Coelho: temos candidatos que prometem “mais saúde”, outros “mais educação”, alguns arriscam “mais trabalho”. Domingo passado, Valentim Loureiro deu comida, bebida e música de borla a quem o acompanhou a Rio Tinto. Também houve chouriços oferecidos por outro candidato. Assunção Cristas promete casas no mesmo dia em que a bloquista alentejana Helena Figueiredo garante “precariedade zero” dentro e fora da Câmara de Évora, e Teresa Leal Coelho tem a solução milagrosa para tirar o Parque Mayer da miséria em que se encontra. Não falando da candidata dos famigerados espaços reservados a mulheres nos transportes públicos de Lisboa...

Todos os dias oiço promessas, garantias, projetos – e tanto chegam dos maiores partidos como dos mais encolhidos independentes. A sensação que fica oscila entre dois sentimentos: ou eles, os candidatos, acham mesmo que somos pacóvios e engolimos tudo o que nos dizem; ou constituem, na esmagadora maioria dos casos, uma cambada de ignorantes que desconhece as limitações legais e estatutárias dos mandatos autárquicos.

Talvez por isso, nesta quinta-feira pré-eleitoral, ainda não decidi o voto. Sei que votarei, nem que seja em branco – mas confesso uma enorme dificuldade em escolher entre quem promete o que jamais poderá cumprir, quem usou o poder para “alindar” a minha cidade sem qualquer preocupação com a sua funcionalidade, ou quem, na ingenuidade ou ignorância, confunde o poder local com o poder nacional.

Do mal, o menos? Ou esta estranha mania que temos de fazer recair a escolha no mal menor começa a tresandar e merece algo mais convicto, sério, consistente?

As eleições do próximo domingo vão ser aproveitadas para tudo: abater Passos Coelho, consagrar Cristas, manter António Costa, fazer e desfazer alianças e compromissos de norte a sul de Portugal. Mas para mim, comum eleitor de Alvalade, Lisboa, gostava mesmo que servissem para ter maior qualidade de vida, menos lixo, e uma cidade que voltasse a sentir minha, lisboeta de pai e mãe, acolhedora, que sempre foi, e empática, que nunca deixou de ser.

Já agora, se pudesse ser menos inacessível para quem nela quer viver, e menos cara para quem resiste estoicamente nos seus bairros, agradecia. Mas talvez isso seja pedir demais. Um dia destes, também me empurram para um qualquer subúrbio. E não vejo candidatos que me garantam que posso continuar a ser lisboeta de Nossa Senhora de Fátima.

E agora para algo bem diferente...

Ler esta reportagem/investigação de Judith Duportail nas páginas do The Guardian deixa-nos a pensar neste universo de redes e informações – e talvez nos obrigue a parar um minuto antes de fazer um like ou entrar numa rede social. Assustador...

... E por falar em coisas que assustam, este artigo do El Pais, relacionado com o (presumível ilegal) referendo de domingo que vem na Catalunha, também dá todo um novo peso às “fake news” e à intoxicação que grassa pelo mundo digital.

Para fechar com algo em bom: o projecto “Firsts”, da revista “Time”, reúne vídeos absolutamente notáveis sobre as mulheres que lideram a mudança no mundo. O link leva-nos à página de entrada, mas no canto superior esquerdo pode aceder à lista que todos os dias se engrossa e onde estão as histórias que contam. Imperdível.

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