Para os mais chatos, que são os que estão quase a desistir de ler a crónica, deixo uma primeira sugestão: Visita ao Vaticano. O Vaticano é um local sagrado para os católicos e o paraíso sonhado para o pessoal dos grafittis. Eu sou adepto dos espaços verdes mas o Vaticano é o sítio ideal para quem gosta de espaços brancos.

Não há desculpa para não ir visitar a Capela Sistina a não ser que esteja todo nu. As pinturas são impressionantes para qualquer ser humano e espetaculares para os fabricantes de pomadas para o torcicolo espasmódico. O destaque é, sem dúvida, o Museu do Vaticano. É  gigantesco, e passeando ao longo das intermináveis salas (dava para pôr três milhões oitocentas mil e duas mesas de snooker) podemos ver muitas das prendas que os Papas receberam ao longo dos séculos, como por exemplo: um elefante em tamanho real de mármore branco, uma arca de Noé em ouro e diamantes e um cheque disco-livro no valor de 900 mil euros. O pior é ter de subir e descer muitas escadas. Um conselho, a visitar apenas na adolescência ou em fase terminal porque há sempre alguém que se oferece para o levar.

Segundo destino: Charlottesville, EUA. Se tem saudades de ver bandeiras com suásticas a sério, sem ser daquelas da treta que o Coelho da Madeira uma vez levou ao parlamento (e que são feitas por crianças chinesas), não pode perder uma vista à colorida cidade de Charlottesville. Se gosta do Arraial Lisboa Pride, aconselho a não perder a parada-nazi. Centenas de tipos musculosos, de cabelo rapado, bigode, etc., desfilam cantando. É uma espécie de carnaval do Rio de gente zangada, em que o tema do samba é o holocausto do ponto de vista do utilizador.

Nesta altura deve o leitor estar a pensar: “ele, no início, disse que eram destinos onde já tinha ido e aposto que nunca foi a Charlottesvile”. Fique o leitor sabendo que conheço Charlotsville como a palma da minha mão, virada para baixo, com o braço esticado.

Terceiro destino: Vimieiro, de uma beleza única, e a apenas dois quilómetros, a pé, e descalço, fica Santa Comba Dão onde podemos ver a humilde casa onde nasceu o Professor António Salazar, que ficou famoso por vencer um concurso da RTP. Já lá fui duas vezes. Uma vez de noite para pegar fogo aquilo, mas começou a chover, e outra só para ver se era seguro deitar fogo aquilo.

Se trabalha no jornal Observador, ou vai votar no candidato do PSD a Loures, não pode perder a visita a casa do Professor Salazar. Imaginem, seus saudosistas (vão buscar os Kleenex), o que é passear livremente os vosso olhos pelos bens de António Salazar, começando pelo Chevrolet Stylemaster, ferrugento, a cor preferida do Salvador da Pátria.

Na sala podemos observar as suas coleções de selos usados e de ratos mortos. Na casa de banho o destaque vai para o estojo de barba da governanta de Salazar e para a curiosa placa em azulejo sobre a sanita onde obrava o ditador e onde se pode ler – “sei muito bem o que quero e para onde vou.”

Quarto e último destino: Castanheira de Pêra e já, não vá a Ágata ser eleita.

Sugestões do autor:

1. Um “livro”: de Maria Vieira – Maria no país do Facebook – isto, apenas, se gosta de se abastecer de acendalhas em Agosto. Ou se vai a um festival de música e já se sabe que ao segundo concerto já não há stock de papel nos dispositivos sanitários.

2. Um filme: O Rei da Comédia, com DeNiro e o ontem falecido Jerry Lewis. É espantoso ver Jerry Lewis num outro registo quase autocrítico. É como gosto de o recordar

3. Um concerto: eu gostava de ver o Emir Kusturica & The No Smoking Orquestra, a 23 de agosto, no festival do Crato mas não posso. Vão vocês.

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