Vários setores da economia portuguesa já perceberam que a excelência científica, o investimento nos talentos e o modelo de negócio baseado na inovação são base para o êxito, e estão a tirar proveito disso. O diálogo entre ciência e sociedade tem evoluído em Portugal. Tem crescido a procura de novas oportunidades, em diferentes setores, do calçado ao vinho ou energias limpas, passando pelos componentes eletrónicos para veículos. Mas será que os cidadãos estão conscientes da importância dessa prioridade, reconhecem esses valores e a vital contribuição do conhecimento e da inovação para progredirmos?

O investimento português em I+D era de 0,3% do PIB, em 1982 (fonte: Pordata). Tivemos a sorte de contar depois com um cientista visionário e empreendedor, José Mariano Gago, que tomou a liderança da política de Ciência, e o país cresceu. A área I+D+i representou 1,32% do PIB português em 2017. Ainda abaixo da média europeia (2,07%) e longe dos já referidos 4,2% de Israel, dos 4,3% de uma potência como é a Coreia do Sul (líder mundial em investimento I+D+i), também o Japão (3,4%) e a Suíça (3,2%). O mapa global de investimento em I+D+i faz-nos pensar.

Vivemos nesta segunda década do século XXI em Portugal o êxodo de muito talento investigador. Algum está a voltar. Esta geração não fica perdida. É uma evidência que sem um tecido tecnológico robusto o nosso estado de bem-estar vai continuar a depender da economia baseada no turismo, depois de ter estado pendurada nas obras e construção. É indiscutível que, apesar da escassa ou nula discussão pública deste tema – também não se discute a educação a não ser pelo lado das querelas sindicais, idem para a saúde, a decisiva sustentabilidade da segurança social também só de tempos a tempos passa pela agenda – tem havido avanços.

Também tivemos, depois, a sorte de um outro português com determinação e audácia, Carlos Moedas, ter liderado a área I+D+i na Comissão Europeia, com a visão de que a ciência é motor do bem-estar económico e do progresso cultural. A União Europeia criou programas com enorme potencial. Depois do Horizonte 2020 que pôs 70 mil milhões de euros ao serviço da I+D+i na Europa nos seis anos entre 2014 e 2020, agora o Horizonte Europa acrescenta 30 mil milhões para o período 2021/27, passando a dedicar 100 mil milhões, com o incentivo da previsibilidade assegurada ao longo de seis anos.

Carlos Moedas dizia há dias que a Europa precisa de um efeito semelhante ao produzido por Kennedy quando anunciou que os EUA iam pôr um homem na lua. Sugeriu como desafio para a Europa a ambição de avançar para “algo como o avião elétrico ou a cura da doença de Alzheimer”. É uma agenda para o futuro.

Lastimavelmente, na já agitada pré-campanha eleitoral em curso, o que temos é o que deveria ser debate a ser desviado e monopolizado por quezílias sobre questões que têm sido de sempre, como as ligações familiares na política (dos EUA vem um desaforo de Trump: ponderou indicar a filha Ivanka para presidente do Banco Mundial), mas não se discute o que é vital, como o combate ao envelhecimento do país e as estratégias de promoção da produtividade, da saúde, do ambiente, da educação e da ciência de qualidade. Passa por investimentos que beneficiam a economia e a sociedade. De facto, um bem todos nós, cidadãos. A discussão destas questões é essencial mas os políticos em campanha continuam a preferir atacar o adversário em vez de procurarem o bem comum.

A TER EM CONTA:

A Finlândia assume no próximo 1 de julho a presidência semestral da União Europeia. Possivelmente com um chefe de governo social-democrata, com discurso contra a austeridade. Mas tudo ainda incerto porque das eleições deste domingo resultou um quase empate entre os social-democratas (40 deputados), os xenófobos “Verdadeiros Finlandeses” (39) e os conservadores (38). O partido centrista, que liderava o governo de Helsínquia, com política de austeridade, é o grande derrotado (perde 18 lugares, fica com 31). Verdes (20) e a aliança das esquerdas (16) crescem 4 ou 5 deputados cada.

A Espanha vota já daqui a duas semanas, em eleições gerais. A sondagem mais recente confirma as tendências reveladas nas anteriores: o PSOE destaca-se de todos os outros. A vitória do triunvirato das direitas deixou de ser a hipótese dominante, apesar de não impossível. Há muitos indecisos ao centro. Um mês depois, os espanhóis voltam às urnas para europeias, autonómicas e municipais.

Macron fala esta noite aos franceses. Será que vai encontrar uma resposta para a crise “gilets jaunes”. As medidas esperadas de apoio ao poder de compra vão chegar?

O FUTURO QUE TRAZ ESPERANÇA:

Novos materiais sustentáveis para a construção de casas.

O plástico abandonado nos oceanos controlado a partir do espaço.

Apesar da escalada na Europa do discurso anti-migrantes, a maioria dos europeus tem outras preocupações. Mas Steve Bannon até põe o papa Francisco, com o discurso de acolhimento, como inimigo a abater.

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