Vou ter que passar a fazer como faço nos textos para chegar ao número de caracteres que me exigem — passo a escrever os números por extenso. Como fiz no início do texto com duzentos e oitenta e voltei a fazer agora. Gastei uma dezena de caracteres.

Primeiro ponto: como é que alguém muda as regras do Twitter sem minha autorização? Hum? Eu praticamente mando naquilo. Não se faz. É como chegar a casa e dizerem-nos: "pus uma terceira mama”. "Ok, tem mais possibilidades mas eu gostava mais quando eram duas, era mais concentrado".

Estou muito abatido com isto. Era um desafio os cento e quarenta caracteres. Assim já não me da pica, vou sair do Twitter e vou assaltar Tancos.

Como sou teimoso só vou usar cento e quarenta. Faço como os outros chatos do acordo ortográfico: "Este Twitter escreve segundo as regras do antigo acordo de caracteres."

Segundo ouvi dizer, este aumento de caracteres é no interesse da comunicação social. Se isso é verdade, bastava aumentar onze caracteres para poderem escrever — Última Hora.

Para mim pode ser o fim: se eu escrever duzentos e oitenta caracteres o meu contabilista obriga-me a passar um recibo verde. Estou tão indignado com esta merda do aumento de caracteres no Twitter que precisava de duzentos caracteres por lá para expressar o que sinto. Troco de bom grado os cento e quarenta caracteres por nudes em 3D via DM. E ao menos aumentavam para duzentos e oitenta mas proibiam os lol.

O Twitter ficou bom para aqueles que tem conta como casal e estamos a cerca de 1720 caracteres da minha mãe poder ter conta no Twitter: "lembras-te do primo da Dona Amélia que era dona da retrosaria ao lado da loja da tia Ricardina que vivia em Oeiras junto à estação?" Estou tramado.

Duzentos e oitenta caracteres dá espaço para a argumentação pensada e bem exposta, é dar cabo do Twitter. Agora começo todos os meus tweets com – supercalifragilisticexpialidocious – para ficar com menos espaço.

Na verdade eu também já só tenho memória para cento e quarenta caracteres se não me tocarem à porta.

Duzentos e oitenta caracteres vai fazer com que façam um twitter “Quadros insulta longamente”.

Só compreendo esta decisão se foi uma jogada do Twitter para o Trump ter o dobro de hipóteses de se lixar.

Este aumento é um erro. O importante no Twitter era o tamanho. Duzentos e oitenta caracteres é uma espécie de mini-prato de Facebook. Não queremos isso.

Eu abandonei o Facebook há 5 anos, em pânico. Nessa altura descobri que o inferno não são as pessoas. O inferno são as pessoas que jogavam jogos no facebook. Jogavam simultaneamente: Café World, Farmville, Poker, Mafia Wars, Happy Island, Sims, dasss… e orgulhavam-se disso ao ponto de nos enviarem as últimas pontuações que atingiram e que são inversamente proporcionais à produtividade no local de trabalho — fiz 20.000 pontos no Farmville e estou a um ratito de ser despedido.

Em tempos, Miguel Sousa Tavares disse – o Facebook não passa de uma agência de engates onde uma multidão de solitários ou mal resolvidos se põe a jeito ao engano, não era assim tão bom. O meu interesse pelo enorme potencial do Facebook foi suplantado pela minha curta paciência.

Não mexam no Twitter, faz favor.

Sugestões do autor:

Exposições – A Mostra Biblioteca Nacional de Portugal de Enid Blyton (1897-1968): 75 anos de Os Cinco – Só para matar saudades dos Cinco, até vou ver a mostra a comer scones com geleia.

Cinema – No espaço Nimas, com sessões às 19 horas, a não perder Don Quixote de Orson Welles. A mais fantástica obra de Orson Welles, e que o realizador nunca conseguiu acabar.

Livro – Debaixo da Pele, o novo romance de David Machado (editora Dom Quixote). Estou muito curioso. E assustado pôr Dom Quixote aparecer duas vezes nas recomendações.

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