Uma das preocupações dos analistas em relação ao estado da economia portuguesa, na semana em que sabemos que contraiu, para além de COVID, 7,6%, é o potencial agravamento do desemprego de longa duração. Quantas pessoas, das que ficaram sem emprego nesta pandemia, terão extrema dificuldade em voltar ao activo quando a crise sanitária estiver controlada? Bom, são casos como o de Cristina Gatões — a ex-directora do SEF, demitida 9 meses depois da morte de Ihor Homeniuk — que nos dão alguma esperança. Cristina decerto não contribuirá para estes indicadores potencialmente alarmantes, uma vez que dois meses depois já conseguiu arranjar novo emprego.

Se muitos desempregados desesperam com o esgotamento dos apoios sociais, outros prosperam com a abundância de apoios socialistas. Os patetas somos nós: quando o Governo falou de "reforma" no SEF, não se referia a mudar estruturalmente toda a força policial, mas de desenrascar uma confortável aposentação à directora demitida. Se há casos de pessoas que ficam sem emprego e que não procuram activamente um novo, a demitida Cristina Gatões fica claramente exonerada destas culpas. No final do ano passado, esteve perto de ir para Londres, para o cargo de oficial de ligação. Agora, fica com ligações a um oficial: o tenente Botelho Miguel, o novo responsável pelo SEF, nomeou-a assessora de um grupo de trabalho que vai restruturar os vistos de investimento. A demitida foi investida para lidar com investimentos. Como se costuma dizer, é Vistos Gold sobre azul.

Já agora, já repararam que as altas patentes militares têm sempre nomes ao contrário? Osório Sanches? Não, não. Sanches Osório. Miguel Firmino? Não, não. Firmino Miguel. Bruno Almeida? Não, não. Almeida Bruno. Miguel Botelho? Não, não. Botelho Miguel. Desculpem-me, achei que merecia a nota.

Quanto à revolução no SEF que Marcelo exigiu, até agora o ministro Eduardo Cabrita só apresentou um PowerPoint. Pediu-se à tutela um acesso de consciência, obteve-se um trabalho de Ciências. António Costa não parece ter disposição para o demitir, esperando que sejam diapositivos a tornar o reinado do ministro menos negativo. Juntando este caso ao da distribuição irregular de vacinas — o tráfico de influenzas —, podemos concluir que o primeiro-ministro julgará que as sondagens abonatórias constituem um visto de residência permanente em São Bento. Está enganado. Simplesmente, só agora abrimos o saco de Gatões em que o governo se tornou.

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