A minha mãe deixou de ir à pizaria. A preocupação com o efeito contaminador a contaminação do glúten na cozinha é algo que, obrigatoriamente, tem de relevar, caso contrário dá em maluca. O senhor tem a certeza de que o tabuleiro do forno não tocou em farinha? Ah, minha senhora… É mais ou menos como alguém com diabetes dizer que tem a doença e não pode comer açúcares e responderem: “mas isto só tem mel”. Um pequeno inferno, portanto, para mais num país que tem predilecção por comida e numa família que gosta de estar à mesa, na palheta. 

A minha mãe vive com isto há muitos anos. Adora ir a Espanha porque qualquer tasca, por mais miserável que seja, tem produtos para celíacos, além de lojas de bolos e de pão, e de restaurantes especiais para pessoas que não podem digerir glúten. Aqui a miséria é muita, o desconhecimento maior. Ainda assim, é certo que hoje se fala destas questões alimentares com maior frequência. Seria de esperar que num hospital como a CUF, nos diferentes edifícios onde existe uma cafetaria, alguém tivesse pensado nas pessoas que não podem ingerir glúten. Nada disso. 

A minha mãe pediu para falar com alguém, o Livro de Reclamações, qualquer coisa. Estar no hospital por ser cuidadora não pode deixá-la à fome e as coisas, infelizmente, eternizam-se e ela esteve horas e horas sem comer. Na cafetaria disseram que só serviam o que a administração mandava; nos serviços centrais disseram que isso era com a cafetaria. A minha mãe comeu umas pastilhas com açúcar. Felizmente, não tem diabetes.

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