Contexto: a propósito de um vídeo humorístico sobre o machismo (a sair esta semana) pedi a mulheres que já tivessem sido vítimas de assédio sexual que me enviassem um vídeo só a dizer “eu”. Só que com isso começaram a chegar centenas e centenas de relatos de assédio, violência e violação. Podia ter ignorado e ter continuado apenas com o meu trabalho de comediante, mas achei que não podia e expus as histórias para o máximo de gente possível tivesse noção da dimensão e gravidade do problema. Apesar de agora muitos dizerem “como é que este otário só percebeu agora”, duvido que muitos (e muitas) tivessem noção do que realmente se passa, principalmente no que diz respeito a violações, tendo em conta que a maioria das vítimas não faz queixa nem diz a quase ninguém e fica a sofrer em silêncio.

Num processo de vários anos – com a ajuda imprescindível das minhas amigas – fui-me consciencializando daquilo a que as mulheres estão constantemente sujeitas e que passa ao lado dos homens, e aproveitando o tema, assumi-o naquela crónica. “Ai, mas não era preciso o Faro usar uma foto dele nesse texto para se promover”. O texto começava com “EU não sabia” e era nas minhas redes sociais – acho que fica explicado.

Tudo isto tomou proporções descontroladas e nada disto foi premeditado, mas também nada disto podia ficar sem continuidade. Felizmente, tenho amigos talentosos e de grande consciência cívica que logo se juntaram a mim. A Ana, a Margarida, a Madalena, o Luís e o Gonçalo (não foi de propósito, mas gosto da paridade) fazem agora comigo o #nãoénormal. Rapidamente, definimos ideias e o caminho que achamos poder tomar para poder contribuir para a diminuição dos comportamentos machistas na sociedade através de várias acções. Criámos a imagem, escrevemos o manifesto, estamos a desenvolver as ideias e até já as apresentámos pessoalmente à Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade de Género e à sua equipa. Ideias aprovadas, vamos avançar.

Eu não ganho nada com isto, eles os cinco também não. Isto não é sobre mim, nem é sobre eles. É muito de todas as mulheres, mas é de todos, acima de tudo. A igualdade de género e a diminuição do machismo ganham muito mais se se juntarem a nós em vez de criticar porque dei a cara, ou porque não devia ter sido um homem a gerar tanto alarido para isto (sim, não é preciso ser um génio para se perceber que isso é precisamente sintomático da sociedade machista em que vivemos).

Façam barulho, mas façam connosco porque estamos todos do mesmo lado. Juntem-se. Está na hora da anormalidade deixar de ser normal.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Lugar Estranho: Dia 29 de Março em Almada.

- Viseu: que cidade bonita para se visitar e onde ir comer bem.

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