A direita está a definhar. O PSD está mais ou menos como esteve o seu site durante uma boa parte do dia de ontem, em baixo, enquanto o CDS espera o Messias.

O que se passou nestas directas do PSD não foi muito diferente daquilo que aconteceu em 2018, quando Rui Rio teve como opositor Pedro Santana Lopes e venceu por 54,1% (22.728 votos), contra 45,85% (19.244 votos).

Agora, e numa segunda volta histórica para o partido, Rio ganhou por 53,11% (17.009 votos) a Luís Montenegro, que obteve 46,89% (15.018 votos), mas foram quase menos seis mil votos (ainda não estão publicados os resultados finais) do que nas últimas eleições.

Se Rui Rio e o PSD não conseguem mobilizar os seus militantes, como conseguirão mobilizar o país? - que dentro de um ano terá eleições presidenciais e, um pouco mais à frente, eleições autárquicas.

O PS governou 17 dos últimos 25 anos e António Costa está mandatado para mais quatro - sem oposição e com a ajuda de um presidente que tem feito pouco mais do que o trabalho de primeira-dama. A Assembleia da República acolheu três novos partidos - Iniciativa Liberal, Chega e Livre - com potencial para continuar a crescer - e aqui podemos incluir o PAN. A abstenção aumentou, com cerca de um milhão de votos perdidos em 2015 e 2019.

Tirando o PCP, e mesmo esse começa a enviesar, o regime político português só tem centro: o centro-esquerda e centro-direita. PS e PSD são espelho e vivem de um eleitorado de um milhão que, ora vai para um lado, ora vai para o outro, dependendo de quem está na mó de cima no momento.

Uma vez mais, Rio fez o discurso da unidade - o último redundou no aparecimento do Aliança -, mas talvez seja tempo de deixar de olhar para dentro e passar a olhar para fora. Há mais de metade do eleitorado, aqueles que não votam, para convencer, para animar.

Acredito que o líder do PSD tem ideias, mas vive numa bolha só sua, da qual ninguém o parece conseguir sacar. E, lamento dizê-lo, ganhar eleições faz-se, também, com marketing, com comunicação. Onde Rio é uma nódoa (basta lembrar o anúncio de que o PSD iria votar contra o orçamento do Estado 2020, ao terceiro minuto já era impossível acompanhar o relambório).

Ontem, nas redes sociais, o tema directas PSD passou quase em branco - ao contrário do Congresso do Livre, Joacine e, sempre, o futebol. Talvez não seja preciso ir ao programa da Cristina cantar "Sonhos de Menino" com Tony Carreira, mas o autismo não é seguramente a receita.

Mesmo para quem acredita que a teimosia é essencial e que a boa política também tem de ter bastidores, Rui Rio tem de mudar e mostrar porque é alternativa. Sem isso, ontem Rui não ganhou nada e estes serão anos completamente desperdiçados. Sem oposição, perde a democracia, perdemos todos nós.

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