Este fenómeno social é essencialmente psicológico e nem sempre facilmente percetível, mas ontem vivi um caso que mexeu comigo. Estava no barbeiro a esperar a minha vez e na cadeira do desbaste estava um rapaz com ar hispter-desleixado. Atrás dele, sentada ao meu lado, estava a namorada — também meia hipster com uns sapatos vintage-ortopédicos. E para meu desalento, meu espanto, minha incredulidade, minha vergonha alheira: era ela que dizia ao barbeiro o que tinha de fazer. Dizia coisas como “ele não gosta assim”, “ele penteia-se mais para o lado, não é querido? É, sim; que eu sei que é” ou “pode aparar um pouco mais a barba que ele gosta mais”.

Perante esta violência psicológica em público, como é que será em casa? Ela no sofá a ver o Passadeira Vermelha e a mandá-lo trazer sandes e minis. Ela a ordenar “insere lá aqui o pénis que estou stressada e preciso de relaxar. E nem venhas com a história das dores de cabeça que vou já dizer à tua mãe que não lavaste bem a loiça do jantar”. Ele vive dominado, sob ameaça matriarcal, com os testículos tão recolhidos que lhe fazem comichão ali na parte de trás dos pulmões.

Eu fiz o que a maior parte dos portugueses faria no meu lugar: ignorei, claro. E não intervim. Mas fiquei a pensar nisso. Se é para tratar outro ser vivo assim, não é mais fácil arranjar um cão? É que este rapaz de vez em quando ainda tartamudeava uma espécie de opinião própria muito auto reprimida. Mas suponho que estes murmúrios ainda incomodem ligeiramente uma mulher que seja assim. Já um cão, obedece com felicidade, não tem como opinar quando está na tosquia e, no máximo, ladra o que quiser mas a mulher não percebe e consegue ignorar ainda mais facilmente. Era melhor para todos.

Provavelmente, há muito mais namoradas assim do que pensamos. Veste antes isto, esse verde-água-do-mar-do-norte-com-algas-antigas (sabem sempre tons de cores que nós achamos que foram inventados no momento) fica-te mal. Não vais nada agora jogar à bola com os teus amigos que é tardíssimo, está quase a começar o Preço Certo. Já te disse que só podes ver filmes cujo elenco tenha menos de 10% de mulheres, ou 5% se alguma delas for uma bomba. Claro que podes ver a Liga dos Campeões, amor! Mas vês o resumo do resumo do resumo e só depois de lavares os dentes!

O inferno no lar.

Todos nós conhecemos ou temos amigos que andam a reboque das namoradas, mas lá se safam de vez em quando para beber umas ou jogar à bola ou connosco. A namorada ir ao barbeiro e ser ela dar as indicações é só humilhante e violento.

Homens, não se deixem ir nisso, pelo bem da igualdade, pelo bem da humanidade.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Manifestão pelo fim dos incêndios:  Movimento pacífico, hoje às 16h no Terreiro do Paço. Uma manifestação por si só não apaga fogos, mas mostra que o povo não tolera mais esta falta de compromisso e empenho dos vários governos sobre o assunto.

- Recolha de bens alimentares e outros: Os fogos estão extintos mas há centenas de pessoas precisar de ajuda. Se puderem, nem que seja só com uma lata de atum, procurem de que forma podem ajudar. Há vários quartéis de bombeiros pelo país que estão a fazer recolha de comida, roupa ou produtos de higiene que depois distribuem pelas populações mais afectadas. Informem-se e ajudem.

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