A cada semana que passa, o João Miguel Tavares faz um esforço cada vez maior para branquear o fascismo. E antes de avançar, devo deixar já claro que o JMT não é fascista, como muitos que dizem o mesmo que ele não são. É importante que não se junte toda a gente no mesmo saco fascista. Mas por outro lado, será que é preciso que o JMT e outros sejam tão facilitadores do fascismo? Têm mesmo que lhes estender a passadeira? O novo “eu não sou racista, mas” é o “claro que o fascismo é mau, mas”.

Nas crónicas do Público ou no Governo Sombra, tem sido semana atrás de semana a legitimar o Chega, ao mesmo tempo que diz que o Ventura é feio e mau, e como agora tanta gente está a adorar fazer, comparar o partido fascista ao PCP e ao Bloco de Esquerda. Qualquer pessoa com o mínimo de integridade moral, seja de esquerda ou de direita, percebe como tal comparação é uma ofensa à democracia portuguesa, mas a verdade é que se está a disseminar esta ideia de serem equivalentes.

Para além do óbvio histórico – quantos militantes do PCP é que morreram e foram torturados pela nossa liberdade? -, ficamos sempre à espera que quem faz estas comparações nos diga uma proposta de esquerda que realmente equiparável à destruição do SNS, ao cerco sanitário a uma etnia, à perseguição a uma minoria religiosa, à reversão da lei do aborto, e a tudo o que já sabemos da visão machista, racista e reaccionária que caracteriza o fascismo. Como ainda ninguém tinha conseguido encontrar, sem ser gritar “Venezuela, Cuba, Estaline, Socialismo, Marx é um bêbado”, e como um senhor me disse “extrema-esquerda é querer impedir despedimentos nesta altura, a empresas que tenham lucro”, o JMT fez equivaler, enquanto propostas abjectas (palavra preferida dele) a castração física à semana de trabalho de 35 horas.

Imaginem ter a coragem de dizer isto. Já escreveu mais uma crónica a tentar justificar isso, andou a berrar ao Carlos Vaz Marques, RAP e Pedro Mexia que eles “não percebem patavina”, e anda nesta espiral de tentar racionalizar o seu profundo desprezo pela esquerda política e aproveitando toda a sua plataforma para a fazer equivaler a quem abomina os direitos humanos e a importância do Estado social. Para quê, João Miguel? Qual é o objectivo de minar o debate político e ajudar a enfraquecer a democracia? O que é se vai comparar mais, ser igualmente abjecto as propostas de lei para diminuir a desigualdade de género salarial e mandar uma deputada para a “terra dela”? Ser tão descabido partidos que lutam sempre para se investir mais no SNS, como um partido que chegou a discutir a remoção forçada de ovários a mulheres como castigo por ter abortado?

Numa altura tão propícia ao ódio e ao crescimento do fascismo, precisamos mesmo de tantos facilitadores? Acho que não. Já chega, João Miguel.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- The Crown: temporada quatro na Netflix.

- A Máquina do Ódio: livro de Patrícia Campos de Mello

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