Se existe a piada recorrente de que quando o Benfica perde há mais casos de violência doméstica, então, quando o Sporting perde aumenta o número de casos de auto-mutilação. O sportinguista é um bicho masoquista e que gosta de sofrer. Aliás, somos imunes ao sofrimento. Vi os meus amigos portistas a lamentarem-se pela derrota no Dragão e pensei “Que tenrinhos, não estão mesmo nada habituados a isto de perder”. As minhas maiores alegrias enquanto sportinguista é ganhar a saber perder sem chorar. Há clubes que têm mau perder, nós já perdemos tanto que nos tornámos bons nisso. Seguimos a nossa vida como se nada fosse após cada campeonato perdido.

O pior que podem fazer a um sportinguista é dar-nos esperança. Nós estamos bem com a nossa sina, o pior que já me fizeram foi naquele primeiro ano com o Jorge Jesus; comecei a acreditar que era possível ser campeão, passou o Natal e eu continuava com esperança; jogámos como nunca e, depois, perdemos. Como sempre. Doeu mais do que nos anos standard de Sporting em que pelo Natal já começamos a não ligar ao futebol e a preferir o ténis de mesa. Este ano, igual, com a chegada de Keizer e as goleadas consecutivas dei por mim a pensar “Tu queres ver…” para agora já ter descido à terra e percebido que o terceiro lugar, dadas as circunstâncias, não está nada mau.

O sportinguista é um eterno optimista sem razões para o ser. Não faz sentido ser-se candidato ao título tantos anos sem o ser, tem de haver ali uma barreira em que já não tem cabimento iludirmo-nos. Antes, tínhamos a formação e o orgulho de ter um onze com vários jogadores provenientes de lá, quase todos portugueses. Era a nossa bandeira, agora nem isso. Espero que o Bruno Fernandes vá embora rápido ou deixe de saber jogar, como tem feito o Bas Dost, para deixarmos de ter qualquer motivo para celebrar e voltarmos à nossa condição de não ter alegrias. Não nos dêem esperanças! Estamos bem assim. Custa menos. Só espero que o Cristiano Ronaldo seja mesmo culpado da violação e que se descubra que o Figo tem crianças em jaulas na cave para, finalmente, podermos nem ter esses para nos contentarmos.

O sportinguista é imune à dor. Nas cirurgias nem precisamos de anestesia, basta mostrarem-nos o falhanço do Brian Ruiz e podem tirar-nos o apêndice que não sentimos nada. As mulheres dos sportinguistas, antes de pedirem o divórcio, mostram-lhes a invasão da academia ou a rescisão do Gelson Martins. Os senhores da EMEL, quando bloqueiam o carro de um sportinguista, deveriam deixar uma fotografia do Bruno de Carvalho dentro do envelope da multa.

Sugestões e dicas de vida completamente imparciais:

Para ir: Maxime Comedy Club, dia 7 de Março, com Jel, Filipe Homem Fonseca e Hugo Subtil. Bilhetes neste link.

Para ouvir: Tubo de Ensaio de Bruno Nogueira e João Quadros

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