Todos os anos, nos primeiros dias de Janeiro, estabeleço uma meta de leitura. Nem sempre consigo chegar ao número desejado, mas agrada-me poder pensar e imaginar quais os livros que lerei nos meses seguintes, se lerei mais ou menos do que noutros anos, se conseguirei estar à altura do desafio. Há quem corra por paixão, há quem leia por desporto – e quem lê por gosto não cansa.

Por exemplo, para 2020, decidi propor-me a ler 35 livros. Para 2021, encolhi o objectivo para 30. Desde 2013, obrigo-me a fazer uma estimativa, de acordo com o que espero ter de fazer durante esses doze meses, quanto tempo livre terei para ler, qual o estado e capacidade para me concentrar e dedicar a este passatempo. E desse lado, já pensou sobre quantos livros vai ler este ano?

Ainda nem dois meses passaram, e já descobri que 2021 pode ser um ano para descobrir e redescobrir novos formatos de leitura e novas actividades relacionadas com livros. Em primeiro lugar, estou a frequentar um mestrado que tem “Literatura” no título, no qual me inscrevi, principalmente, pelo gozo que me dá estudar. Só por esse motivo, tenho a certeza de que lerei bastante, tanto quanto possível, quer queira, quer não.

Em segundo lugar, voltei a juntar-me a dois clubes de leitura: o É Desta Que Leio Isto e os Oxímoros. Já participei noutros grupos que se encontravam presencialmente, antes da pandemia, mas acabei por perder o entusiasmo, o que é uma pena. Fazer parte de um clube de leitura (ou, porque não, constituir um novo do zero) é desfrutar da companhia, do conhecimento e da partilha de, e com, outros indivíduos que nutrem pelos livros os mesmos sentimentos que nós. Aconselho a todo e qualquer apaixonado por livros que o faça ou que, pelo menos, o procure fazer. Os clubes de leitura, mesmo à distância, também podem ser um remédio muito saudável para a solidão ou para o isolamento típicos desta época de afastamento físico forçado que vivemos.

No que toca às novidades literárias para 2021, tenho igualmente que destacar a minha mais recente descoberta, os áudiolivros, ou audiobooks em inglês. Embora não considere a audição a mesma coisa que a leitura, tenho aproveitado esta actividade, que me permite ouvir histórias, reais ou ficcionais, tal e qual como se fosse de novo uma criança pequena. Ouvir outra pessoa a ler é muito relaxante, é de certo modo produtivo, e permite-me aproveitar um livro enquanto despacho tarefas domésticas ou apenas descanso a vista após muitas horas de trabalho ao computador. E é muito fácil encontrar áudiolivros na Internet! Pessoalmente, já testei as apps/sites Audiobooks.com e Audible, e sei que o Kobo também tem uma oferta variada, autores portugueses incluídos. No que diz respeito à audição, continuo a ouvir muitos podcasts, na sua maioria conversas e entrevistas com escritores que admiro.

Além disso, nestas andanças literárias, tenho uma rede social predilecta: o Goodreads. Neste “Facebook dos livros”, procuro novas leituras, registo as terminadas, as desejadas e as suspendidas ad aeternum, leio as opiniões dos meus amigos e, é claro, de pessoas que nem sequer conheço, faço perguntas e peço sugestões, deixo e recebo likes como quem acena com a cabeça perante escolhas acertadas ou que despertam a curiosidade. É uma plataforma minimalista, chega até a ser pouco funcional, mas continua a merecer a minha atenção, ano após ano, livro após livro.

No entanto, as primeiras semanas de 2021 também serviram para me relembrar de algo importante: os números são apenas uma referência. O desafio de leitura - esses 5, 10 ou 150 livros que estabelecemos como objectivo desejado - serve apenas para nos guiarmos. Pessoalmente, devido ao estado do mundo, em geral, e a eventos da minha vida, em particular, não tenho conseguido ler por mais do que quinze ou trinta minutos de cada vez. O meu desafio anual do Goodreads já me avisa de que não estou a cumprir o ritmo pré-definido. A quantidade de livros adquiridos que chegam cá a casa continua a aumentar, apesar de a quantidade de livros lidos e terminados continuar quase sempre igual.

Neste contexto, é essencial ter em mente que a leitura é uma actividade prazerosa, seja pelo acto em si ou pelo papel que desempenha nas nossas vidas. A leitura não deve ser fonte de angústia, ansiedade ou desapontamento. É, sim, sinónimo de enriquecimento – mas não penso que deva basear-se em números, nem em ambições, vaidade ou orgulho.

Se a leitora ou leitor também gostar de ler, talvez se reveja nas linhas que lhe deixo. Por isso, gostaria de substituir a pergunta inicial por outra alternativa, numa nota mais positiva e optimista: quais são as próximas leituras que tem planeadas para este ano?

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