A história foi contada pelo The Guardian. Sobre Howey Ou, o jornal dizia que tem todas as qualidades que uma candidata a Harvard – a universidade com que esta jovem de 17 anos sonha – deve ter.

Howey Ou iniciou a hashtag #Chinafloods sobre as inundações que têm atingido fortemente o país e tem feito vários vídeos nas redes sociais sobre o tema. Esta ativista tem mesmo sido reconhecida em várias ocasiões pelo seu trabalho, como por exemplo quando recebeu um dos dois únicos “bilhetes verdes" atribuídos a jovens chineses para assistir à cimeira internacional sobre o clima em Nova Iorque. A sua ação foi já elogiada pela própria Greta Thunberg. Só que a iniciativa, o pensamento independente e a defesa das suas convicções têm-lhe valido alguns dissabores, como a recente ameaça que recebeu das autoridades chinesas: ou abandona o seu ativismo ou não pode concluir os estudos no liceu de Guilin.

Na mesma semana, quase cinco milhões de tweets da hashtag persa “Não Executem” tornaram viral o protesto contra a condenação à morte de três jovens no Irão. Amirhossein Moradi, Mohammad Rajabi e Saeed Tamjidi foram condenados na sequência de julgamentos injustos relacionados com os protestos nacionais ocorridos em novembro de 2019, tendo sido acusados de serem “líderes da rebelião”. O caso é parte de uma alarmante tendência de aumento do uso da pena capital contra manifestantes, dissidentes e membros de grupos minoritários iranianos.

Mesmo na Europa, ser uma voz dissidente ou de oposição pode significar ser arbitrariamente detido ou sofrer espancamentos. Isso é o que tem acontecido a centenas de ativistas, jornalistas e participantes em manifestações pacíficas na Bielorrússia.

Durante a última campanha eleitoral, as mulheres e as crianças tornaram-se grupos ainda mais vulneráveis. Fazendo uso de um decreto presidencial que descreve “medidas para proteger as crianças em famílias desfavorecidas”, as autoridades ameaçam tirar os menores filhos de ativistas políticas e de famílias de membros da oposição presos. Outras formas de discriminação de género pelas autoridades incluem multas desproporcionalmente pesadas e não permitir a utilização de itens básicos de higiene pessoal a mulheres detidas por participarem em manifestações pacíficas.

Mas também mais perto, na Hungria, na Polónia e mesmo em Itália e Malta, ser ativista e defensor dos direitos humanos pode tornar-se uma atividade arriscada, alvo de criminalização ou difamação. Por exemplo, cumpriram-se três anos do início da investigação judicial contra dez membros da tripulação de um barco de resgate de pessoas no Mediterrâneo, que salvou mais de 14 mil vidas, e entre os quais se encontra o português Miguel Duarte. Apesar do estudo forense determinar que não existem quaisquer evidências de concertação entre a tripulação do Iuventa e traficantes, são acusados de “facilitar a entrada irregular” de migrantes em Itália, o que pode significar uma pena máxima de 20 anos de prisão. Marcando esta data, a Amnistia Internacional lança uma ação para que as autoridades Italianas terminem esta investigação sem sentido e retirem as queixas.

É por tudo isto que não podemos parar. Precisamos de garantir que tantos outros jovens como Greta Thunberg, Howey Ou, Amirhossein Moradi, Mohammad Rajabi, Saeed Tamjidi e Miguel Duarte, e todas as outras pessoas que têm a coragem de defender os direitos humanos, podem fazê-lo sem sofrerem represálias. Porque o mundo só muda pela coragem destes, que querem construir mais, sonhar mais, concretizar mais. Saibamos ter a coragem de os apoiar e defender, para que quem defende os direitos humanos o possa continuar a fazer.

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