Começa hoje o Congresso Internacional Maria Teresa Horta e a Literatura Contemporânea: de Espelho Inicial (1960) a Estranhezas (2018) na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Não é um evento chato e sem qualquer ligação à vida real, é um acontecimento que celebra a vida e obra desta imensa escritora desobediente que é Maria Teresa Horta. Trata-se de uma mulher ímpar, para quem a liberdade é o tudo, para quem desobedecer é palavra de ordem.

Feminista convicta, sofreu muitos dissabores antes e depois do 25 de Abril. Co-autora de Novas Cartas Portuguesas, é também conhecida por ser uma das três Marias, três mulheres que se inspiraram nas cartas da freira Mariana Alcoforado para escrever cartas sobre a repressão das mulheres e do corpo. Hoje seria um livro apetecível. Em 1972 foi um livro automaticamente proibido, nem lhe valeu a primavera marcelista. Foram acusadas de atentado ao pudor e de pornografia. O 25 de Abril mata este julgamento atroz e, no dia 7 de Maio de 1974, as três Marias são absolvidas. Fez ontem 45 anos. Novas Cartas Portuguesas é um livro poderoso, um livro louvado por várias autoras e académicas nacionais e internacionais e tornou-se, na década de 70, a causa máxima do primeiro congresso feminista que se realizou nos Estados Unidos da América, em Boston.

A obra de Maria Teresa Horta é extensa e não pode ser reduzida ao acontecimento literário que foi - e ainda é - este livro que escreveu a seis mãos com Maria Velho da Costa e com Maria Isabel Barreno. O Congresso Internacional Maria Teresa Horta vem comprovar a imensa importância da autora, da sua poesia, da sua ficção dentro e fora de portas, com edições internacionais e um crescente estudo académico, nomeadamente no Brasil.

Mulher de armas, coleccionadora de palavras, Maria Teresa Horta foi jornalista durante toda a sua vida e deslumbra-se todos os dias com a palavra escrita e com o universo narrativo. Acredita na verdade, acredita nas mulheres, acredita na Literatura. Durante muito tempo, demasiado tempo, o seu nome foi preterido, esquecido e deram-lhe um rótulo com intenções de menorização: a poetisa do erótico. Maria Teresa Horta é mais do que isso e nunca se deixou abater, nunca se deixou ignorar. A sua voz é demasiado poderosa. E ainda bem.

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