“Atualmente, a Europa não tem capacidade de fabricar, produzir e colocar em órbita satélites e refletores, há uma grande dependência da Europa a outros países e é por isso que surge [o projeto]”, afirmou, em declarações à Lusa, Filipe Lopes, investigador do INEGI.

Segundo o responsável, foi a partir desta necessidade, identificada pela Comissão Europeia e apoiada pela Agência Espacial Europeia (ESA), que surgiu o ‘WeLEA’, um projeto europeu financiado em 4,9 milhões de euros pelo programa Horizonte 2020.

Iniciado em 2017, o projeto, que junta 15 parceiros de seis países europeus, vai desenvolver soluções para testar a “primeira antena europeia desdobrável de grandes dimensões”, que terá uma arquitetura escalável de cinco a 20 metros de diâmetro.

A antena, desenvolvida ao abrigo do projeto europeu “LEA – Large European Antenna”, vai ser, segundo o investigador, “crucial para missões de observação da terra, meio ambiente, mas também para telecomunicações, segurança e defesa”.

Além da antena, estão a ser desenvolvidos outros dois equipamentos: um refletor de grandes dimensões, que permitirá uma maior “resolução na comunicação e obtenção de dados” e um braço desdobrável.

No âmbito deste projeto, o INEGI está responsável pelo desenvolvimento de cinco equipamentos que, em terra, vão “validar” o comportamento desta antena, antes do seu lançamento para o espaço.

“Estamos a desenvolver equipamentos mecânicos para em terra simular as condições reais que existirão no espaço, de modo a poder testar e validar as condições”, referiu.

Dos cinco equipamentos desenvolvidos pelo instituto do Porto, dois já estão em fase de teste, sendo que um deles visa “medir a precisão da superfície do refletor e testar a radiofrequência em gravidade zero” e o outro, “validar a funcionalidade dos vários sistemas do refletor”.

Até ao final do ano, os investigadores pretendem desenvolver os restantes equipamentos, sendo que dois serão testados em “câmara de vácuo e vibração” para simular a descolagem do aparelho, e outro para testar a “distorção do braço da antena”.

À Lusa, o investigador Filipe Lopes adiantou que o “grande beneficio” e “mais-valia” deste projeto é, efetivamente, “fazer com que a Europa tenha capacidade de se tornar independente”, lembrando, contudo, que apesar do projeto terminar este ano, tal não indica que a antena seja lançada para o espaço.

“Ainda temos muito trabalho pela frente e muito para validar”, concluiu o investigador.

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