"Nós encontrámos vestígios, muito antigos, de genes humanos modernos em antepassados ​​neandertais dos Montes Altai, na Sibéria, o que sugere que estes primeiros homens modernos já tinham migrado para fora de África nesta data", explicou à AFP o co-autor do estudo, Sergi Castellano, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.

Uma equipa internacional de investigadores descobriu estes traços genéticos ao analisar o genoma de um homem de Neanderthal, cujos restos mortais foram encontrados numa caverna nos Montes de Altai, perto da fronteira entre a Rússia e a Mongólia.

O estudo, publicado nesta quarta-feira, contém duas informações surpreendentes. Primeiro, revela que não foi há 40 mil anos que as duas espécies tiveram um envolvimento sexual, mas sim há 100 mil anos. Esta conclusão sugere, por sua vez, que estes acasalamentos não teriam sido possíveis caso estes homens modernos tivessem saído de África há 65 mil anos, data em que se acreditava que essa deslocação tinha acontecido. Ou seja, essa migração deverá ter acontecido muitos anos antes.

Para Sergi Castellano e a sua equipa, "o homem moderno que influenciou os genes do neandertal da Sibéria, deve vir de um grupo que deixou África muito antes da imigração dos seus ancestrais europeus e asiáticos de hoje em dia".

Mas destes viajantes precoces, o autor do estudo reconhece saber pouca coisa. "Sabemos apenas que eles se separaram muito cedo dos outros homens modernos de África e que acasalaram com os neandertais há cerca de 100 mil anos", acrescentando, com entusiasmo, que "é a primeira prova genética, fora de África, do homem moderno". No entanto, "é uma prova indireta já que não dispomos de ossadas daqueles homens, mas apenas traços genéticos que eles deixaram nos neandertais", conclui Sergi Castellano.

Os primeiros fósseis de Homo Sapiens foram encontrados na Europa há cerca de 45 mil anos. O continente era, na altura, povoado pelos homens de Neandertal.

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