De acordo com a Gartner, as vendas globais dos smartphones estagnaram no último trimestre de 2018 - aquele onde se registam mais vendas, dado ser nessa altura que as grandes marcas lançam os seus modelos de topo, antes dos períodos festivos. No total, venderam-se 408,4 milhões de telemóveis, um crescimento de apenas 0,1% face ao período homólogo do ano anterior.

Nenhuma empresa sentiu tanto este refrear de vendas como a Apple. Os números não enganam: a empresa liderada por Tim Cook vendeu 64 milhões de iPhones no quarto trimestre de 2018, quando tinha vendido 73 milhões no período homólogo em 2017, resultando num declínio de 11,8% nas vendas, o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2016. Como consequência, a Apple viu a sua quota de mercado cair dos 18% para os 16% de um ano para o outro.

Sendo o mercado concorrencial um jogo de soma zero, cada vez que alguém perde margem, é porque outro ganhou. Nesse aspeto, o grande vencedor foi a Huawei. Apesar dos escândalos que afetaram a credibilidade da empresa chinesa - desde a detenção de Meng Wanzhou, a diretora financeira da empresa, no Canadá, até às acusações de espionagem por parte dos EUA -, esta viu a sua quota de mercado subir de 11% para 15%, contribuindo para isso uma subida de 44 milhões para 60 milhões de telemóveis vendidos nos quartos trimestres de 2017 e 2018.

No topo do mercado mundial manteve-se a Samsung, mas o gigante coreano viu uma ligeira descida no seu domínio, com as vendas a baixarem de 74 milhões no quarto trimestre de 2017 para 71 milhões em 2018. Isto, por sua vez, significou uma baixa da quota de mercado de 18% em 2017 para 17% em 2018.

No cômputo geral, lidera então a Samsung a nível mundial (17%), seguindo-se a Apple (16%) e depois a Huawei (15%). Curiosamente, como aponta o jornal Público, em Portugal a ordem é outra, já que a Huawei reina no topo do mercado nacional com 32% de quota, seguindo-se a Samsung (27%) e a Apple (13%).

As razões para o rombo da Apple - e, em menor escala, da Samsung - parecem ser evidentes, sendo também os fatores para o crescimento da Huawei e da Oppo - esta empresa, também ela chinesa, viu a sua quota subir de 6% para quase 8% nos últimos dois anos.

Ao website Business Insider, Anshul Gupta, analista da Gartner, explicou que a Apple e a Samsung apelam quase em exclusivo a “compradores de substitutos”, ou seja, pessoas que já têm telemóveis destas empresas e que querem substituí-los por modelos mais recentes.

Como resultado, estas empresas têm descurado compradores de mercados emergentes como a China, a Índia ou a América Latina, com menor poder de compra mas, ainda assim, com capacidade para comprar smartphones - a Apple, por exemplo, passou a ter apenas 9% de quota de mercado na China, um dos principais mercados do mundo. É aqui que empresas como a Huawei têm colhido frutos, oferecendo uma gama de telemóveis com funcionalidades apetecíveis, mas bastante mais baratos do que iPhones ou modelos Galaxy da Samsung.

Para que se tenha uma noção, o modelo Mate20 Pro, o mais caro da Huawei (excetuando a versão limitada da Porsche), foi colocado à venda nas grandes superfícies a um valor a rondar os 1049 euros. Mesmo chegando aos quatro dígitos, é substancialmente mais barato que os modelos de topo da Apple - o iPhone XS Max com capacidade de 512GB custa 1679 euros - e da Samsung - o Galaxy S10+ recentemente apresentado vai custar 1639 euros.

Apesar desta queda, Gupta não considera que a Apple vá lançar modelos mais baratos, lembrando o analista que, apesar de já ter lançado dois modelos “baratos" - o 5C e o SE - a empresa de Cupertino “sempre se focou mais na quota de valor do que na quota de mercado”. Ou seja, apesar de venderem menos, os iPhones geram bastante mais dinheiro do que a concorrência porque são muito mais caros, sendo que, se baixassem o preço, isso “poderia baixar o fator aspiracional” dos seus telemóveis.

O problema é que, ao manter esta filosofia, a Apple arrisca-se a ficar de fora em mercados cada vez mais importantes e onde os consumidores já estão a criar lealdade junto de outras marcas. Para Gupta, a Huawei, ao manter gamas mais baratas, mas respeitáveis, e gamas mais premium, “está a capitalizar em todas estas tendências da melhor forma possível”.

Samsung Galaxy Fold
créditos: Getty Images/AFP

No que toca a um foco mais atento ao setor premium do mercado, a Samsung acaba de adiantar-se à concorrência com um modelo inovador, o Galaxy Fold, que, como o nome indica, é dobrável. Esta meta tecnológica já tinha sido atingida pela empresa chinesa Xiaomi, que desenvolveu um protótipo, mas foi a empresa coreana a primeira a apresentar um telemóvel com estas características ao público.

Quando está dobrado, parece dois telemóveis sobrepostos (um ligeiramente mais pequeno que o outro), mas quando é estendido, passa a registar 7,3 polegadas e assemelha-se a um pequeno tablet, permitindo utilizar várias aplicações em simultâneo. Outro destaque é o recorde de câmaras colocadas num só telemóvel: 6. Para além deste modelo, a Samsung apresentou ainda a nova geração da gama Galaxy S, com o S10e, S10, o acima mencionado S10+ e o S10 5G, sendo que este último não tem data de lançamento prevista para Portugal.

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