O cancro da próstata é o mais comum entre os homens, para além do cancro da pele não melanoma. Os tratamentos comuns para toda a glândula, como a cirurgia ou radioterapia, são eficazes para eliminar o cancro, mas frequentemente deixam os pacientes com incontinência e disfunção sexual.

Uma classe de tratamentos denominada terapia focal oferece uma alternativa para alguns homens com a doença de risco intermédio que ainda se limita à próstata. Na terapia focal, o cancro elimina-se ou destrói-se aquecendo ou congelando o tecido alvo. Dado que o tratamento está direcionado a uma área pequena dentro da próstata, os efeitos secundários são geralmente menos significativos que aqueles associados à cirurgia ou à radioterapia.

Num estudo realizado, os investigadores estudaram um dispositivo que administra ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética (MRgFUS). Enquanto o paciente está anestesiado, coloca-se uma sonda/um tubo no reto que concentra ondas ultrassónicas de alta frequência no local do cancro. O procedimento demora cerca de quatro horas.

“Ao trocar o dispositivo de ultrassom focalizado de alta intensidade com ressonância magnética, podemos orientar o tratamento para o local exato, porque podemos assinalar com precisão onde está o tumor”, explica o investigador e autor do estudo, Sangeet Ghai, do Toronto Joint Medical Imaging Department, parte da University Health Network (UHN) e Sinai Health and Women's College Hospital, no Canadá.

O doutor Ghai e os seus colegadas da UHN e Sinai Health realizaram MRgFUS em 44 homens com cancro da próstata e rastrearam os resultados com ressonância magnética, biópsias e exames de função urinária e erétil.  O tratamento foi completado com êxito em todos os homens. Não houve adversidades significativas relacionadas com o tratamento, e 41 dos 44 participantes (93%) estavam livres da doença no local do tratamento na biópsia de 5 meses. Os resultados da função erétil e os sintomas da próstata foram semelhantes no início do estudo e em 5 meses.

“Os resultados até agora têm sido muito bons – destaca o doutor Ghai. Tratamos uma área mais pequena com este dispositivo, mas obtivemos muito bons resultados. Ao mesmo tempo os pacientes preservaram a sua função urinária e erétil”.

Ainda que o MRgFUS exija experiência, recursos e custos adicionais, tem várias vantagens em relação a outros tratamentos. O uso da ressonância magnética permite feedback térmico durante o tratamento, uma consideração importante, pois matar o tecido cancerígeno requer uma temperatura de mais de 60 graus.

“A ressonância magnética dá feedback quase instantaneamente sobre a temperatura que pudemos alcançar no local – assinala o doutor Ghai. Se a temperatura for a que queria obter, posso reaquecer a área para que se aumentem as possibilidades de sucesso”.

Um benefício adicional da ressonância magnética é que pode mostrar se há alguma vascularidade na área de tratamento, um sinal de que não se eliminou todo o cancro.

Aguardando aprovação da US Food and Drug Administration e Health Canada, a MRgFUS é uma opção prometedora para os pacientes de risco intermédio que permite eliminar o cancro da próstata sem diminuir a sua qualidade de vida, um grupo que constitui um número potencialmente significativo de pacientes.

O doutor Ghai estima que de todos os pacientes com cancro da próstata que se submetam a cirurgia ou radioterapia, aproximadamente 20% a 30% seriam elegíveis para algum tipo de terapia focal como MRgFUS.

Como parte do estudo, os investigadores estão a colecionar os dados de seguimentos de dois anos de todos os pacientes do grupo de estudo e planeiam publicar os resultados noutra publicação.

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