A relação de Donald Trump com as redes sociais sempre foi profícua, mesmo antes de chegar à presidência dos Estados Unidos da América. Agora, depois do caos na capital, Washington DC, Facebook, YouTube e  Twitter tomaram medidas para travar as mensagens do chefe de Estado, que consideram pôr em causa a segurança pública.

As três plataformas, detidas por empresas multimilionárias norte-americanas, tomaram a decisão no dia em que apoiantes do ainda presidente invadiram o edifício do Capitólio (comparável à Assembleia da República), levando à suspensão do processo que ia ratificar os resultados das eleições do passado dia 3 de novembro e causando alguma destruição no espaço.

Uma pessoa morreu e várias foram detidas. A polícia está a investigar o incidente, mas não adiantou as circunstâncias do disparo. A capital do país está sob um recolher obrigatório até às 06:00 locais (11:00 em Lisboa).

Ainda durante a tarde, o Facebook removeu um vídeo de Trump em que este pedia aos seus apoiantes que atacaram o Congresso na quarta-feira para irem para casa, repetindo as falsas acusações à integridade da eleição presidencial.

No vídeo, Trump começa por dizer” “Conhecemos a vossa dor. Eu conheço a vossa ferida. Mas têm de ir para casa”.
Classificou também os seus apoiantes como “muito especiais”.

O vice-presidente da Facebook para a Integridade, Guy Rosen, escreveu quarta-feira na rede social Twitter que o vídeo foi removido porque “aumenta, mais do que diminui, o risco de violência”.

Na altura, a Twitter tinha mantido o acesso ao vídeo, mas impedia que fosse redistribuído ou comentado.

“Esta é uma situação de emergência e estamos a tomar as medidas de emergência adequadas, incluindo remover o vídeo do presidente Trump”, disse Rosen na Twitter.

O YouTube (detido pela Google) também disse que tinha removido o vídeo, por espalhar falsidades sobre uma fraude eleitoral generalizada.

Mais tarde, a rede social Twitter bloqueou totalmente a conta de Donald Trump e exigiu-lhe que retire as mensagens que desculpam a violência, ameaçando bani-lo para sempre.

Esta foi a primeira vez que a Twitter tomou uma decisão destas em relação a Trump, a quem ameaçou com uma “suspensão permanente”.

Sem os canais oficiais na internet e com a própria Casa Branca a anunciar que não vai haver mais declarações nas próximas horas, não deverão ser conhecidas mais intervenções de Donald Trump nas próximas horas.

Por outro lado, Mike Pence, o ainda vice-presidente dos Estados Unidos, continua no Capitólio, tendo o seu porta-voz dito que o também Republicano tem estado em contacto com as forças de segurança, os departamentos de Justiça e Segurança, assim com a liderança do congresso norte-americano, para garantir a segurança do edifício do Capitólio, onde ainda durante esta noite a contagem dos votos do colégio eleitoral foi retomada.

A polícia usou armas de fogo para proteger congressistas e só quatro horas após o início dos incidentes as autoridades declaram que o edifício do Capitólio estava em segurança.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que os violentos protestos ocorridos no Capitólio foram “um ataque sem precedentes à democracia” do país e instou Donald Trump a pôr fim à violência.

Pouco depois, Trump pediu nas redes sociais aos seus apoiantes e manifestantes que invadiram o Capitólio para irem “para casa pacificamente”, mas repetindo a mensagem de que as eleições presidenciais foram fraudulentas.

O governo português condenou os incidentes, à semelhança da Comissão Europeia, do secretário-geral da NATO e dos governos de vários outros países.

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