Nasceu em dezembro de 1967, em Baltimore, nos Estados Unidos. O seu currículo é longo. Foi selecionado como piloto da NASA em 2000, depois de uma carreira na Força Aérea americana. Terry Virts tem uma longa experiência em voos espaciais, tendo feito a sua primeira viagem ao espaço em 2010 como como piloto da missão STS-130. Em 2014 regressou para uma missão de longa duração na Estação Espacial Internacional (EEI). Integrou a Expedição 42 e comandou a Expedição 43, regressando à Terra a 11 de junho de 2015, depois de cumprir 213 dias em órbita na estação espacial, em dois voos. Em agosto deste ano anunciou que se retiraria.

No dia em que Portugal se sagrou campeão europeu de futebol, Terry Virts felicitou, na sua conta de Twitter, a vitória portuguesa. Deu os "Parabéns" e acrescentou as hastags #Portugal, #Euro2016Final e #EURO2016. Mas não foi só. No mesmo tweet partilha uma fotografia tirada do espaço, na qual se vê toda a Península Ibérica com as luzes noturnas. Recentemente, voltou a fazer algo semelhante quando os  Chicago Cubs venceram a World Series,  depois de um dos mais lendários jejuns de títulos da história do desporto americano.

"Astro_Terry", como é conhecido nas redes sociais, seguido por mais de 293 mil pessoas no Twitter, 223 mil no Instagram e 36 mil no Vine, confessa que estas eram um dos seus “aspetos favoritos dos voos espaciais”. E acrescenta que “são uma maneira de partilhar experiências com pessoas por todo o mundo”. A rapidez da partilha e a possibilidade de colocar em contacto as pessoas são duas das coisas que mais o fascinam relativamente a estas novas ferramentas de comunicação. “Há vinte anos, a não ser que fôssemos discursar a algum lado, não conseguíamos comunicar com as pessoas” e elas “interessam-se pelo espaço”. As redes sociais são, por isso, uma forma de mostrar “as experiências dos voos espaciais”.

A 25 de fevereiro de 2015, com recurso a uma câmara GoPro, captou o trabalho espacial “extra veicular”. Algo inédito que resultou em dois vídeos únicos e em imagens e sons surpreendentes. O primeiro vídeo mostra a arrebatadora vista da Terra da Estação Espacial Internacional, e o segundo a moldura de painéis e cabos que envolve a Estação. Essa “foi uma das minhas partes favoritas [da missão espacial]”. No primeiro passeio espacial, conta, “liguei-a [a GoPro], segurei-a e sorri para a câmara durante dois segundos”. Já no segundo “não tinha tempo, então liguei-a, coloquei a gravar e fiz o meu trabalho” enquanto a câmara captava.

Terry Virts é também conhecido pela sua fotografia espacial. Na última missão que fez, em 2015, a primeira foto que tirou no espaço curiosamente não é do espaço. Conta: “um dos meus colegas astronautas foi pai de um menino, deu-me uma fotografia do filho e guardei-a. Depois fotografei-a. Então a primeira fotografia que tirei foi à foto do filho de um amigo”. “Visto de cima”, Terry tirou dezenas de fotografias que iam sendo publicadas nas redes sociais com alguma ajuda da sua equipa em terra. Da Namíbia aos campos de gelo da Patagónia. Das explorações agrícolas no Brasil às Coreias. E até mesmo das pirâmides do Egito, numa fotografia tirada no último dia da missão. Deste diário de bordo digital e espacial, não ficou de fora o dia-a-dia da tripulação, a celebração de efemérides, os trabalhos “extra veiculares” e os passeios espaciais. Um registo de deixar qualquer um com a cabeça na lua.

Se tivesse de escolher alguma foto das que tirou, escolheria uma da Europa: “é fantástica. [Vemos] o Reino Unido e a Escandinávia com a Aurora Boreal ao fundo. Eu adoro essa fotografia”.

A Estação Espacial “tem uma rotina muito rígida”, conta. Há uma reunião matinal onde são dadas todas as tarefas e a sua calendarização e depois “vamos ao trabalho”. “Planeiam todos os minutos do nosso dia”, desde os exercícios às experiências científicas. “À noite temos outra reunião onde falamos do dia e depois temos alguns minutos para respirar, para jantarmos juntos e para tirar fotos”. “E é isso que faço no meu tempo livre no espaço, tiro fotos”, remata.

“Tivemos um jantar com a nossa tripulação, estávamos os seis, e eu estava a falar e disse ‘malta, há mais de seis mil milhões de pessoas na Terra e só estamos seis no espaço. Nós somos um por cada mil milhões'. [Nesse momento] senti-me um sortudo por estar no espaço.”

“O tempo que estou no espaço é tão precioso para mim. Sei que posso nunca mais regressar e quero aproveitar ao máximo.”

Para explicar melhor como é a relação do tempo no espaço, recorre a um filme norte-americano de, 1993, com Bill Murray, “Groundhog Day” (“O Feitiço do Tempo” em português), onde o mesmo dia se repete por todos os dias. “Nós rimo-nos e dizemos que hoje é como o 'Groundhog Day'”, ainda que na realidade não seja, porque “todos os dias acontece uma coisa diferente”. Apesar de “haver uma rotina e os dias serem muito similares”, admite que nunca se sentiu aborrecido. “Havia trabalho para se fazer e isso mantinha-nos ocupados”. “Se não tivesse nada para fazer tinha enlouquecido”, brinca.

Ainda sobre a noção de tempo, mas agora de como é a habituação ao “tempo terreste”, depois de mais de seis meses no espaço, Terry Virts conta-nos uma história familiar. “Aterrámos no Cazaquistão, apanhei um avião, vinte e quatro horas depois estava de volta a Houston. Fui ao ginásio durante uma hora e meia e o meu filho de dezasseis anos, que tinha acabado de tirar a carta de condução, diz ‘pai vamos comprar um carro’". Assim, vinte e quatro horas depois de duzentos dias no espaço “estava a comer um hambúrguer e à procura de um carro novo”. Apesar de recear como seria a adaptação no regresso - “estava preocupado de que fosse ficar triste” -, “não foi de todo como tinha pensado”.

No que diz respeito ao futuro da exploração especial, Virts acredita que se “o século XX foi o século da Lua, o XXI será o de Marte”. Mesmo que os EUA liderem a exploração espacial e, no futuro, continuem a fazê-lo, o astronauta considera fundamental uma parceria internacional coesa. Em primeiro lugar porque “quanto mais recursos tivermos, mais podemos fazer”. Em segundo lugar, “uma parceria internacional ajuda-nos a manter o foco” e a não dos dispersarmos com “loucuras”.

Sobre Elon Musk, que recentemente anunciou os seus ambiciosos planos para a exploração de Marte, Virts partilha do seu entusiasmo. “É muito fácil dizer que se quer ir a Marte” mas a realidade é que “é preciso ter um plano”. E o “Elon propôs um plano, o que é bastante bravo porque muita gente fala mas poucos o fazem com planos”.

Terry Virts na Web Summit
créditos: RSV / MadreMedia

No dia seguinte à eleição de Donald Trump para a Casa Branca, muitas pessoas pediam à NASA, no Twitter, que lhes providenciasse uma viagem para o espaço de forma a fugirem dos EUA. O astronauta ri-se quando lhe contamos e responde que “foi uma eleição e tantas”. “Costumávamos depender dos ingleses para nos entreter politicamente, agora temos um dos nossos”. Sobre Trump, “ele vai ser o nosso futuro presidente, então temos de aguardar pelos próximos quatro anos e ver como correm. Mas estou otimista quanto ao futuro”.

E Portugal visto do espaço, como é? Responde sem hesitar: “Portugal é incrível. Ficamos com a sensação de que é o fim da Europa e o início do novo mundo. E o que é mais fantástico é que África fica logo ali. [Visto do espaço] mesmo sabendo que é a Europa e que são muito diferentes, estão muito perto.”

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