Esta startup que atua na área da fisioterapia tem um nome que, na realidade, é um acrónimo. Chama-se SWORD Health e significa Stroke Wearable Operative Rehabilitation Device. Fernando Correia, Chief Medical Officer [CMO], explica que a escolha remete para o início do projeto, "direcionado para reabilitação neurológica, pós AVC”. Mas entretanto as coisas mudaram. “Deixámos cair o extenso e ficámos só com SWORD [sem ser um acrónimo], porque na realidade não queremos passar a ideia de que só estamos focados num tipo de reabilitação. E depois quando olhámos para o acrónimo achámos que SWORD [espada] era tão potente que decidimos manter, porque dá ideia de uma coisa acutilante, cortante e que vai diretamente à raiz do problema”.

Por isso, a SWORD Health criou o SWORD Phoenix, um produto que pretende devolver qualidade de vida aos utilizadores. “Remete-nos para a ideia da fénix que renasce das cinzas”, acrescenta Fernando.

Na criação da startup esteve em causa uma experiência familiar do fundador, Virgílio Bento. “A ideia surgiu pelo CEO da SWORD, porque o irmão foi atropelado, teve um acidente de viação grave quando tinha 10 ou 12 anos e esteve muito tempo em coma no hospital. Depois, quando finalmente recuperou, ficou com sequelas motoras e cognitivas severas e foi para o centro de reabilitação de Alcoitão. A família sentiu tudo isto na pele. Caíram onde caem muitos doentes, muitas famílias: numa situação onde o acesso à fisioterapia é escasso e a intensidade não é a necessária. Isto levou os pais a transformarem-se nos terapeutas do irmão, complementando em casa aquilo que ele fazia lá fora”, começa por explicar Fernando.

Toda a família deslocou-se para Cuba, onde foi possível ver “a diferença de ter um tratamento com a intensidade que é necessária”. “Não é que as condições em Cuba ou que os terapeutas fossem melhores, mas efetivamente como o preço do tratamento lá é muito mais barato do que cá, eles conseguem alocar um terapeuta a um doente durante sete ou oito horas por dia”, ressalta o CMO. Depois de Cuba, o irmão de Virgílio recuperou. “Hoje tem redes sociais, tem um trabalho, consegue ser um membro produtivo da sociedade, mas à custa de um investimento pessoal e financeiro da família, que acabaram por fazer de terapeutas”.

A experiência levou o fundador da SWORD a concluir que há falta de acesso de muitos doentes à fisioterapia; a intensidade do treino faz muita diferença e é preciso ajudar a resolver este problema no mundo. E foi por isso que, quando Virgílio chegou ao doutoramento, decidiu dar o seu contributo para a área. “Foi criado um sistema de quantificação de movimento baseado em sensores de movimento iniciais, que são colocados em segmentos corporais e são presos por velcro. É uma forma muito confortável e permitem, no seu conjunto, digitalizar com elevada precisão o movimento do doente”, clarifica Fernando.

Para completar o dispositivo existe uma app “que processa o sinal dos sensores e que dá biofeedback em tempo real ao doente, áudio e vídeo, sobre a qualidade do movimento. A app funciona como um terapeuta digital que guia o doente durante as suas sessões de fisioterapia, dizendo que tipo de exercícios tem de fazer, mostrando explicações áudio e vídeo. Quando o doente comete um erro, diz-lhe como pode corrigir na repetição seguinte. Isto permite que os doentes possam fazer os exercícios terapêuticos no conforto das suas casas, de forma independente, mas com monitorização da equipa clínica”.

Mas porque os terapeutas não podem deixar tudo nas mãos da tecnologia, há também uma “plataforma na Internet onde as equipas clínicas podem prescrever os exercícios que querem que os doentes façam e analisar tudo o que fazem — no limite cada movimento do doente — para que seja possível introduzir as alterações que sejam necessárias”.

Com este sistema, o doente “não precisa de se deslocar ao hospital ou às clínicas, eventualmente pode ter alta mais cedo e as equipas clínicas também não têm de se deslocar a casa dos doentes”, acrescenta Fernando Correia.

“Já comprovámos com estudos clínicos que funciona. Um que fizemos foi focado na patologia neurológica e mostrámos que o nosso biofeedback permite melhorar a performance dos doentes nas tarefas motoras. Enquanto empresa, focámo-nos muito mais na patologia músculo-esquelética porque representa das maiores causas de incapacidade do mundo. É mais expressiva em termos de números”, diz. “Os resultados foram melhores, quando comparados com o grupo da fisioterapia convencional, porque conseguimos aumentar a intensidade de tratamento aos doentes, isto tudo usando apenas 15% do tempo do terapeuta. Para conseguir dar 24 sessões de fisioterapia de uma hora a um doente em casa, tem de gastar sensivelmente 36 horas de um terapeuta, por causa da deslocação. Com o nosso sistema, para dar as mesmas 24 horas, um terapeuta gastou cinco horas e pouco”.

Em Portugal, a SWORD encontra-se a trabalhar com o Centro Hospitalar de Leiria. “Estamos a responder a um problema que é a falta de capacidade instalada para dar resposta a doentes que precisam de reabilitação. O Centro Hospitalar de Leiria e as unidades da Nazaré e de Pombal tinham centenas de doentes à espera para reabilitação. Não sendo doentes prioritários que necessitassem de cirurgia, ficavam à espera. O que estamos a fazer é levar a reabilitação a casa das pessoas, sem necessitar de grandes recursos humanos. É tentar resolver o problema”, remata.

Além de atuar na área da reabilitação, a empresa quer ir mais longe. “Estamos agora a terminar de publicar os resultados destes nossos estudos clínicos sobre reabilitação, vamos agora começar outros. Estamos a ir para a questão dos cuidados preventivos, principalmente no que diz respeito à população idosa. Continuamos na nossa senda de resolver problemas atuais do mundo, atuando quer depois de eles acontecerem, na reabilitação, como antes de acontecerem, com cuidados preventivos”. O objetivo é, sempre, “responder às necessidades dos doentes”.

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