O anúncio foi feito pelo júri do ‘pitch’ (breve apresentação de uma empresa com apenas três a cinco minutos de duração) no palco principal do evento, na Altice Arena, depois da final de hoje, entre três companhias de um total de 168 de 40 países que concorreram.

“Tenho a certeza de que todas vão ser grandes empresas e o voto não foi fácil, mas acabámos por não seguir a escolha do público”, disse o presidente do júri, o investidor Tom Stafford, anunciando assim a eleição da Wayve.

Além deste responsável, o júri era composto pelas empresárias Bedy Yang e Holly Liu.

Em sentido inverso, os participantes no evento escolheram, através da aplicação para telemóvel da Web Summit, a ‘startup’ LvL5 (com 46% dos votos), que também usa inteligência artificial para carros autónomos através da colocação de câmaras de vídeo.

Seguiu-se a Factmata (43%), de verificação de informação, e a Wayve (11%).

A Wayve é uma empresa de fase inicial criada por jovens da instituição inglesa de ensino superior Cambridge University, que desenvolveram um ‘software’ com inteligência artificial para aplicar em carros autónomos.

“Teremos uma fase de desenvolvimento da condução autónoma segura […], que durará dois a três anos”, portanto isto será uma realidade “em 2023 ou 2024”, disse o cofundador da Wayve, Alex Kendall, falando aos jornalistas depois do anúncio feito pelo júri do ‘pitch’ (breve apresentação de uma empresa com apenas três a cinco minutos de duração).

Questionado sobre os próximos passos no projeto, Alex Kendall estimou estar, juntamente com os outros responsáveis da empresa, “a desenvolver essa tecnologia nos próximos dois anos em Cambridge, no Reino Unido, e a mostrar que funciona”.

“E a partir daí iremos vender os nossos produtos”, adiantou, falando no longo prazo.

Para 2021, o responsável apontou assim testar o programa “em larga escala”, equacionando alargá-lo a outras cidades, como Lisboa ou Porto.

Para já, os testes apenas acontecem no Reino Unido, desde janeiro, e já demonstraram que é possível pôr uma máquina a “aprender do zero”.

Ao contrário de outros programas para condução autónoma, a Wayve não aposta em “câmaras e sensores” porque isso “pode confundir o carro”, focando-se antes “no conhecimento” para fazer com que o veículo “seja capaz de reconhecer o seu ambiente e as decisões que tem de tomar”.

“Essa é a única forma de os humanos confiarem” na máquina, observou.

O responsável salientou que, nos próximos dez anos, haverá “grandes evoluções na capacidade de os robôs entenderem o ambiente que os envolve e tomarem decisões por si mesmos”.

“E nós queremos estar na fila da frente a desenvolver esta tecnologia e a torná-la disponível para a sociedade”, referiu.

No concurso deste ano da Web Summit, o prémio foi apenas um galardão, depois de na última edição ter sido um cheque de 50 mil euros e o acesso a um programa de incubação.

Ainda assim, “acho que isto [a distinção] significa muito crescimento para nós”, notou Alex Kendall.

Questionado sobre as razões que trouxeram a empresa ao evento, o responsável destacou “a audiência e com a dimensão do evento”, desde logo pela sua “reputação”.

A escolha foi feita pelos jurados do ‘pitch’, os investidores Tom Stafford, Bedy Yang e Holly Liu, veredicto este que valeu 75% face aos 25% da escolha do público, que tinha colocado esta empresa em terceiro lugar, depois das ‘startups’ LvL5 e Factmata.

A Web Summit termina hoje no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), e estiveram presentes cerca de 70 mil participantes de 159 países naquela que é a terceira edição de 13 previstas em Lisboa.


Notícia atualizada às 18:28

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