Zoomguide, start-up de Aveiro, é a grande vencedora da edição de 2020 do Tourism Explorers, iniciativa lançada pelo Turismo de Portugal e pela Fábrica de Startups no seguimento do Programa FIT - Fostering Innovation in Tourism. A Grande Final Nacional decorreu na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no dia 3 de dezembro, e contou com a participação da Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques.

Pelo facto de ter sido eleita vencedora, a start-up arrecadou, nesta 4ª edição do Tourism Explorers, um incentivo no valor de 10.000€.

Nome da Start-up? Zoomguide.

Quem é o fundador? Afonso Cunha, 28 anos, com formação em Engenharia

Há quanto tempo existe? A ideia começou a ganhar forma em janeiro de 2020 e foi-se materializando, a pouco e pouco, até maio.

Como surgiu a ideia? A ideia surgiu durante uma viagem a Berlim, em dezembro de 2019, conta Afonso. O fundador da Zoomguide sentiu que a cidade tinha mais para lhe oferecer do que aquilo que estava a conseguir, de facto, experienciar. Afinal, parecia que, para lá dos objetos culturais, muitas histórias estavam bloqueadas - eram impossíveis de descobrir. E, quando conseguia alcançar tais histórias, sentia, mesmo assim, que a experiência poderia ser melhorada. O clique deu-se quando entrou num museu, alugou um audioguia convencional e entendeu que práticas semelhantes, em museus por todo o mundo, poderiam ser aprimoradas. Não era necessário um audioguia, pois todo o processo poder-se-ia dar através da Zoomguide. Após falar com família e amigos, confirmou o que sentia e avançou com o projeto, para o colocar no mercado.

Quem trabalha na equipa? Apenas Afonso e uma amiga, Inês.

Como funciona? A Zoomguide é uma plataforma que permite ao público tirar fotografias a objetos culturais, como obras de arte, e receber no telemóvel informações acerca dos mesmos. É ainda possível guardar a história para recordar mais tarde ou partilhá-la com amigos nas redes sociais. Esta funcionalidade é, para o fundador da empresa, uma das mais-valias do projeto, na medida em que se torna possível reviver a experiência, formando um passaporte turístico de histórias culturais. Desta forma, a ideia é, como indica o nome da empresa, amplificar a imagem que é possível captar com o telemóvel, acrescentando-lhe um guia de informação sobre a mesma. “É uma mais-valia para o utilizador”, reitera Afonso.

Qual o modelo de negócio? O objeto da start-up não é o desenvolvimento de conteúdo informativo, mas sim o desenvolvimento de uma plataforma que permita a museus ou centros culturais transformar a informação de que dispõem em experiências para quem os visita. Assim, o que é disponibilizado é um software que permite a gestão de conteúdo para o usufruto dos utilizadores, e não o conteúdo propriamente dito. A informação sobre o objeto turístico, terá, desta forma, de ser trabalhado pelos museus ou centros culturais que contratam com a Zoomguide. Para além disto, é também possível traduzir a informação para outras línguas e gerar áudio.

Em que fase se encontram? A Zoomguide encontra-se em fase de testes, num museu nacional, que, dada a fase embrionária do projeto, Afonso prefere que não seja mencionado. O site está montado e disponível na internet, mas ainda não é possível aceder aos seus conteúdos. O objetivo é que no primeiro trimestre de 2021 esteja totalmente disponível. No entanto, tal depende da pandemia, na medida em que a viabilidade da empresa depende do facto de as pessoas visitarem ou não museus ou centros culturais – facto este que, nos tempos que correm, não atravessa bons ventos. “Há muito trabalho para fazer”, remata Afonso Cunha.

Objetivos? Numa primeira fase, manter-se no mercado português. Não obstante, a plataforma está a ser construída para que funcione em qualquer país. Mais tarde, Afonso admite ser possível dar o salto e fazer com que a aplicação seja útil não só a museus ou centros culturais, mas também às cidades em si. Por exemplo, seria possível passar pela rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, tirar uma fotografia e ficar a conhecer a história da estátua e do próprio Marquês de Pombal.

Existe algo parecido? Há concorrentes, sendo que, segundo Afonso Cunha, o produto mais similar e mais comum é a Google Lens, que permite tirar uma fotografia a algo e receber informação sobre isso. No entanto, de acordo com Afonso, enquanto a Google Lens funciona como uma agregador mais generalista de informações sobre objetos, a Zoomguide pretende ser mais especializada e oferecer aos seus utilizadores o acesso a uma informação única e mais trabalhada pelas fontes de informação propriamente ditas, sejam museus ou centros culturais.

Para além da Zoomguide, que saiu vencedora do Tourism Explorers, uma outra start-up, a Drag Taste, recebeu o prémio de “Outstanding Perfomance” - o que significa que vão poder contar com o apoio estratégico, a nível de consultoria, ao longo de seis meses, do Turismo de Portugal e Fábrica de Startups.

Nome da Start-up? Drag Taste

Quem é o fundador? Pedro Pico (Teresa Al Dente), um chefe de cozinha, em conjunto com o seu parceiro, o russo Nicolae (Irina Ganache), apaixonado por maquilhagem.

Há quanto tempo existe? Desde julho de 2019. No entanto, e segundo nos contou Diogo Vieira da Silva (ou Lady D), colaborador na estratégia de expansão e captação de investimento da empresa, entre 12 de abril e 12 de novembro deste ano faturaram mais de um milhão de euros.

Como surgiu a ideia? Pedro (Teresa) e Nicolae (Irina), enquanto casal, queriam passar mais tempo juntos. Assim, juntando os gostos que tinham em cozinha, em maquilhagem e no mundo Drag Queen, surgiu o pensamento de conciliar ideias a priori antagónicas e formar a Drag Taste. O objetivo é proporcionar a turistas uma experiência de cozinha tradicional portuguesa em conjunto com o universo Drag Queen.

Quem trabalha na equipa? Atualmente, 35 pessoas trabalham na empresa.

Como tudo começou? Começaram, em julho de 2019, num apartamento na Avenida de Berna, onde viviam Pedro (Teresa) e Nicolae (Irina), a organizar experiências de três horas, que consistiam num espetáculo de entretenimento e musical de Drag Queens, numa transformação dos clientes em Drag Queens e, ao mesmo tempo, numa aula de cozinha de comida tipicamente portuguesa. Com o sucesso da embrionária empresa, passaram a fazer estas experiências sete dias por semana. No entanto, como as pessoas entravam às 18:00 e saíam pelas 00:00, e com o barulho associado, acabaram expulsos do apartamento onde residiam.

Para onde se mudaram? Tendo conseguido o apoio da Airbnb, mudaram-se assim, em outubro de 2019, para o Lx Factory, onde estão atualmente. Não obstante, em março deste ano chegou a pandemia do Covid-19. Com salários a 15 Drag Queens e uma renda no Lx Factory para pagar, surgiu a ideia “de um milhão de euros (literalmente)”, como nos explicou Diogo Vieira da Silva (ou Lady D): passar o negócio para o mundo online. Deste modo, passaram a experiência para o mundo digital e, no primeiro mês, conseguiram receitas na ordem dos “100 mil dólares”. Foram, segundo Diogo Vieira da Silva (ou Lady D), referência na Forbes, no Washington Post e no New York Times. Atualmente, têm apostado no team building, especialmente dentro de grandes empresas, tendo como clientes a Google, a Microsoft, a Spotify ou a Netflix. A experiência online que oferecem tem a duração de uma hora e meia e pretende ensinar os clientes, de maneira interativa, a fazerem sangria tipicamente portuguesa – enquanto assistem, simultaneamente, a um espetáculo de Drag Queens. Neste modelo, através da plataforma Zoom, podem assistir mais de 100 pessoas por sessão, e o objetivo é o de reavivar o sentimento de equipa – especialmente nesta época de Covid-19.

Objetivos? A empresa procura investidores que estejam abertos a avançar com a Drag Taste, não só a nível monetário, mas também ao nível do desenvolvimento do conteúdo oferecido. O objetivo é a expansão da empresa a nível de sedes físicas, estando já pensadas aberturas em Sydney (Austrália), Barcelona (Espanha), São Paulo (Brasil) e no Porto. No entanto, o mundo digital não pode ser descorado e a ideia é manter, e até melhorar, o modelo online que está a ser seguido nos dias de hoje. Atualmente, detêm cinco estúdios, sendo possível, portanto, organizar cinco sessões online em simultâneo. A título de exemplo, a 17 de dezembro estão previstas 42 experiências online. A língua usada tem sido, por regra, o inglês, apesar de já terem sido realizadas experiências em espanhol, francês e português (por causa do mercado brasileiro).

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