A "Stealable Art Exhibition" foi pensada como uma "experimentação", supostamente para transformar a relação entre artistas e o público, segundo Tota Hasegawa, promotora do projeto. E a ideia era simples: os visitantes podiam não só ver as obras expostas, como se apropriar delas - o que noutra situação seria considerado um roubo.

Os promotores da iniciativa acharam que o evento seria bastante confidencial, mas as informações espalharam-se rapidamente pelas redes sociais.

Quase 200 pessoas compareceram à abertura do evento, pouco antes da meia-noite da última quinta-feira e os "ladrões" foram tão eficazes que a exposição ficou esvaziada em menos de dez minutos. A intenção era que durasse dez dias.

O afluxo de pessoas foi de tal ordem que a polícia teve que ir ao local, onde os organizadores esclareceram o mal-entendido já que ali roubar era permitido.

O prazer da transgressão

Yusuke Hasada, de 26 anos, foi um dos visitantes que conseguiu trazer uma nota emoldurada de 10.000 ienes, que fazia parte da instalação "My Money", do artista Gabin Ito. Chegou à exposição uma hora antes do horário previsto para a abertura e posicionou-se estrategicamente em frente à entrada da galeria.

"Quando eles (os organizadores) anunciaram que abririam antes, todos atrás de mim se apressaram para entrar. Quase caí", relatou à AFP. "Foi aterrorizante", acrescentou.  O jovem diz que quer guardar o objeto para decorar o apartamento.

Já outros mostraram ter outros interesses: poucas horas após o "roubo", vários itens da exposição já estavam à venda nos sites de leilão, às vezes a preços de até 100.000 ienes (mais de 900 dólares).

Yuka Yamauchi, uma engenheira de 35 anos, chegou quando faltavam quinze minutos para a meia-noite, a tempo apenas de ver os outros saírem com as obras.

"Há algum tempo que não via tantas pessoas", sublinha Yamauchi. Hoje, a maioria dos habitantes de Tóquio evita aglomerações por medo de contrair o coronavírus na capital japonesa.

A jovem teve que se contentar com um prémio de consolação: um pregador que provavelmente foi usado para pendurar uma das obras.  "Encontrei no chão, então guardei como lembrança", conta, rindo.

A possibilidade de roubar objetos atrai mais público e dá aos visitantes um certo prazer, o de transgressão, explica Minori Murata, artista que expôs carteiras com dinheiro e cartões de crédito.

A sociedade japonesa não tem o costume de desrespeitar as regras e proibições, e a incidência de criminalidade no país é muito baixa - o que tornou a iniciativa ainda mais apelativa.

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