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Beijos na boca, facadas no coração

Depois de, no ano passado, a Netflix nos ter dado “Marriage Story”, parecia impossível que outro filme sobre uma relação disfuncional fosse capaz de nos afetar tanto, como se da nossa própria relação se tratasse. Estávamos todos enganados e eis que, na última sexta-feira, chega à plataforma de streaming “Malcolm & Marie”. O filme, realizado por Sam Levinson, era um dos mais esperados da Netflix para 2021, e tem como protagonistas (e únicas personagens) os próprios, Malcolm, interpretado por John David Washington e Marie, interpretada por Zendaya. Ambos têm uma prestação brilhante.

Pelo trailer, a longa metragem prometia falar de amor, e assim o fez, com muito ódio e rancor à mistura. Ele é um realizador que acabou de estrear um filme muito promissor. Depois da grande noite, chega a casa e as inseguranças dominam os seus pensamentos. Será que os críticos gostaram? O que é que vão escrever sobre ele? Os elogios que recebeu foram sinceros?  No meio de dúvidas, a sua namorada, Marie, parece ser a única capaz de o acalmar, mas é a única que não o faz.

Também ela envolvida na indústria do cinema, mas com uma carreira não tão bem sucedida, está magoada pela ingratidão do seu companheiro, que não lhe agradeceu no discurso daquela noite. E é assim, pegando em várias pequenas situações que foram ficando por falar e que ganharam uma proporção muito maior, que a noite de celebração é dominada por um ambiente de tensão, dando mote do filme.

Durante duas horas assistimos à discussão deste casal, que parece ter começado por causa de uma tigela de mac & cheese, e que alterna entre os insultos e as declarações de amor, onde não podiam faltar os golpes baixos. Pelo caminho, descobrimos problemas de ego, passados escuros, problemas com as drogas e cobranças de favores do passado. Ora achamos que um tem razão, ora achamos que o outro é uma besta, e vice versa, numa roda viva de emoções que pouco descanso dão a quem vê o filme.

Para te conseguir explicar bem aquilo que se sente ao ver “Malcolm & Marie”, vou citar-te uma frase de Malcolm, que, a determinada altura diz algo como “Num momento, quero cortar-te a cabeça e no outro quero beijar essa cara linda”. E é isto que nós, espectadores, também sentimos, em relação aos dois. Digam lá que o amor não é isto?!

  • O silêncio também é importante: Os momentos mais parados têm um papel crucial no filme e parecem ter sido pensados milimetricamente. Por exemplo, quando, no meio do frenesim e da discussão, Marie decide ir apanhar ar, o namorado vai à sua procura. No meio da noite cerrada, o vazio e o desespero pela sua ausência substituem o barulho da discussão. É uma espécie de “não estou bem contigo e não estou bem sem ti”.
  • Um filme que fala sobre um filme: Se tivesse de apontar um aspeto negativo, diria que, por vezes, “Malcolm & Marie” é um bocadinho meta. A linguagem demasiado alusiva ao mundo do cinema, num certo tom de crítica à indústria, faz com que às vezes nos esqueçamos de que se trata tudo de uma discussão de casal.
  • Dar os créditos a quem realmente merece: Afinal, nem tudo neste enredo é ‘inventado’. Numa entrevista ao The Hollywood Reporter, o realizador, Sam Levinson, revelou alguns detalhes sobre a inspiração para o filme e conta inclusive uma situação em que se esqueceu de agradecer à sua mulher. Coincidência não será de certeza.
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Vamos visitar o ano que ninguém quer recordar?

Se és um utilizador atento do Google e se costumas frequentar o YouTube, quase de certeza que nos últimos dias te foi sugerido o documentário “Life in a Day”. Não, tu não foste o único. Este, que é um produto da casa, uma produção YouTube Originals, tem estado em destaque pela sua segunda edição. O conceito é fácil de perceber: o YouTube desafiou todas as pessoas a gravar partes do seu dia 25 de julho de 2020, quer fizessem um vlog, um desafio ou simplesmente se sentassem para contar uma história ou cantar uma música.

Feitas as contas, milhares de pessoas responderam ao desafio da plataforma, que recebeu mais de 300 mil vídeos de 192 países, falados em 65 idiomas. O resultado final está agora à vista. Uma hora e meia composta por clips que duram pouco mais do que alguns segundos, mas que nos mostram o quão pequeninos nós somos num mundo tão grande e diverso. Sim, eu sei, isto é um cliché, mas é algo a que o próprio documentário procura não fugir, porque é a realidade. Se num momento temos um casal feliz com a chegada de um bebé, no clip seguinte temos uma mãe que lamenta a perda do seu filho. Há sol, há chuva, há vento, trovoadas, cheias e neve. Temos pessoas que filmam TikToks no conforto da sua casa, intercaladas com quem está feliz com as poucas condições que tem num país de terceiro mundo onde a tecnologia não parece ter entrado.

Mas não nos podemos esquecer das condições em que estes pequenos vídeos foram gravados. Fala-se de racismo e de protestos, de George Floyd e de Breonna Taylor. Outros refletem a pandemia, que afetou milhões de pessoas por todo o mundo. Idosos isolados, crianças que querem sair à rua, enfermeiros e médicos que lutam todos os dias para ir trabalhar e pessoas que ficaram sem trabalho e que perderam tudo o que tinham. No final de ver tudo isto, e de soltar uma lagriminha ou outra, surge a pergunta na nossa cabeça: lembras-te do que é que fizeste naquele mágico 25 de julho de 2020?

  • Construir cápsulas do tempo: A primeira edição do documentário “Life in a Day” foi em 2010, precisamente no mesmo dia. Espreita aqui o resultado. Se tudo correr bem, em 2030 há mais. Fica atento às redes sociais do projeto para saberes mais.
AQVGD – edição 85 – The Lady and The Dale AQVGD – edição 85 – The Lady and The Dale

Vigarices sobre rodas

Mesmo que tu, assim como eu, não percebas nada de carros, não é difícil reconhecer que, nos anos 70, a ideia de um carro amarelo com três rodas foi uma grande inovação no mundo automóvel. Chamava-se o “Dale” e o modelo surgiu nos Estados Unidos, numa altura em que se enfrentava uma guerra ligada aos combustíveis e em que surgiu a necessidade de pensar num meio de transporte que gastasse menos e fosse mais eficiente. Mas o carro não ganhou sucesso sozinho. Conforme se foi tornando popular, houve uma cara e um nome que também ganharam visibilidade por causa do sucesso: Elizabeth Carmichael, fundadora da empresa Twentieth Century Motor Car Corporation.

Reconhecida por muitos como uma cara do movimento feminista, Liz foi a primeira mulher num meio dominado por homens a ter um alto cargo e a trazer uma ideia inovadora que fazia frente às gigantes automóveis, como a Ford. Na altura, o Dale foi um sucesso e rendeu muito dinheiro, ainda em forma de um concept car (ou seja: ainda antes de estar a ser produzido em série e comercializado). Mas claro que tudo isto parecia demasiado bom para ser verdade.

É na mini-série “The Lady and The Dale” que vamos acompanhar passo a passo, através de registos históricos, entrevistas e declarações de pessoas envolvidas na história, a vida de Liz Carmichael. O percurso é mais alucinante do que aquele que podes imaginar. Ninguém, para além da sua família, sabe que Liz é transsexual e que a vida que viveu presa no corpo de um homem e com outro nome foi marcada pela vigarice, a criminalidade e as relações com a máfia. Mas isso não parece ter ficado no passado.

Pode parecer irreal, até porque muitos de nós (eu incluída) nunca tínhamos ouvido falar deste caso tão polémico, que aconteceu no outro lado do oceano, mas Liz Carmichael existiu. E a verdade é que, por muito que condenemos os seus atos e vigarices, a sua história mostra-nos também um lado de discriminação e problemas de identidade que afetaram Liz depois de muitos dos seus segredos terem sido descobertos.

  • Onde ver: A mini-série está disponível na HBO Portugal e é composta por quatro episódios (atualmente só três estão disponíveis, o último estreia dia 15 de fevereiro). Vê aqui o trailer.
  • Se quiseres saber um pouco mais: Tenho dois artigos que te vão ajudar a perceber um pouco melhor a história que a série quer contar, a forma como o faz e o porquê de ser relevante falar da história de Elizabeth Carmichael nos dias de hoje. Um deles foi publicado pela Variety, e o outro pela Times.

Créditos Finais

  • Talento atrás de talento: Quando ainda estávamos todos a digerir a atuação de NENNY no Colors Show, eis que, sem aviso prévio, chega a vez de Carla Prata ir mostrar o seu talento. Espreita aqui a interpretação de Certified Freak.
  • Recorda o melhor do Super Bowl: Para além da mítica atuação de The Weekend no Halftime Show (e, claro, do jogo em si), a final da liga de futebol americano fica sempre marcada pelos anúncios mais criativos. Se não estiveste atento, vê aqui a lista dos melhores deste ano para a CNN.
  • Preparem-se para a lamechice dos próximos dias: O Dia dos Namorados está aí à porta e, mesmo em condições atípicas, há quem não o queira deixar passar sem celebrar. Se precisares de ideias, deixo-te com uma lista dos melhores filmes românticos para veres na Netflix. Se tu e a tua alma gémea não puderem estar juntos ou se fores solteiro e quiseres celebrar com amigos, tens sempre o Netflix Party.

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