Numa cerimónia em que os vencedores falaram a partir de casa ou de festas isoladas, por causa da pandemia de covid-19, Mark Ruffalo fez o discurso mais fervoroso da noite.

"Temos um momento grande e importante à nossa frente", disse o ator, referindo-se às eleições de 3 de novembro, que vão definir o próximo presidente dos Estados Unidos e a composição do congresso.

"Vamos ser um país de divisão e ódio? Um país apenas para certos tipos de pessoas? Ou vamos ser um [país] de amor, força e luta, onde todos têm o sonho americano e a busca da vida, liberdade amor e felicidade?", questionou.

Ruffalo, que venceu na categoria de Melhor Ator em minissérie por "I Know This Much is True", apelou aos cidadãos para que "façam um plano" e votem "pelo amor, compaixão e bondade".

"Temos de nos aproximar com amor, uns pelos outros", disse, na companhia da mulher, Sunrise Coigney. "E se vocês são privilegiados, têm de lutar pelos menos sortudos e mais vulneráveis", afirmou, dizendo que a diversidade "é o que é excelente na América" e que "somos mais fortes juntos quando respeitamos a diversidade uns dos outros".

Antes de Ruffalo dizer estas palavras, já Daniel Levy tinha apelado ao voto num dos seus discursos de vitória, uma vez que o ator recebeu vários prémios Emmy esta madrugada, por "Schitt's Creek".

"A nossa série, no seu âmago, é sobre os efeitos transformadores do amor e da aceitação, e isso é algo de que precisamos agora mais do que nunca", afirmou Levy, que interpreta um personagem pansexual em "Schitt's Creek". "Para qualquer um de vocês que ainda não se registou para votar, façam-no e votem, e essa será a única maneira de termos algum amor e aceitação".

Já as atrizes Regina King e Uzo Aduba envergaram camisas com a cara ou o nome de Breonna Taylor, uma afro-americana que foi morta a tiro quando a polícia entrou à força na sua casa, para executar uma busca referente a terceiros.

"Têm de votar", disse Regina King, que venceu o Emmy de Melhor Atriz em minissérie. "Seria negligente se não mencionasse isso, já que faço parte de uma série tão presciente como 'Watchmen', disse a atriz, que terminou com uma homenagem a Ruth Bader Ginsburg, a juíza progressista do Supremo Tribunal, que morreu na sexta-feira passada.

"Watchmen" parte de um acontecimento real, um massacre em Tulsa, em 1921, em que o local conhecido como "Wall Street Negra" foi palco de violentos motins durante os quais multidões de brancos incendiaram e pilharam casas e lojas, e atiraram sobre afro-americanos.

Cord Jefferson, que com Damon Lindelof recebeu o Emmy de Melhor escrita para minissérie por um dos episódios de "Watchmen", referiu o massacre como o "pecado original".

"Este país negligencia e esquece a sua história, muitas vezes para seu próprio risco, e penso que nunca devemos fazê-lo", afirmou.

A 72.ª cerimónia de entrega dos prémios da Academia de Televisão decorreu em Los Angeles, sem público, e foi apresentada por Jimmy Kimmel.

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