Artistas, curadores e historiadores vão reunir-se num congresso internacional, de hoje a sábado, sob o título “Na escalada do desejo”, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, e no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), numa iniciativa em parceria.

Os historiadores de arte, curadores, galeristas e investigadores Pedro Lapa, Delfim Sardo, Benjamin Weil, Raquel Henriques da Silva, Alexandre Melo, Cristina Guerra, Ana Anacleto, Bernardo Pinto de Almeida, Helena Vasconcelos, Filipa Oliveira e João Pinharanda são alguns dos oradores convidados a falar sobre a obra do artista falecido em maio deste ano, aos 72 anos, deixando um legado dos mais internacionais da arte contemporânea portuguesa.

“O desaparecimento de Julião Sarmento foi um choque para todos, e, tendo em conta o impacto da sua figura como artista no meio nacional e internacional, achámos que fazia todo o sentido lançar um congresso no dia do aniversário dele e nos seguintes”, justificou, em setembro, a diretora do MNAC, Emília Ferreira, em declarações à agência Lusa.

Autor de uma obra multifacetada, Sarmento, nascido em 1948, em Lisboa, representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza em 1997 e foi alvo de uma exposição pela Tate Modern, em Londres, em 2011.

No ano seguinte, o Museu de Serralves, no Porto, organizou a mais completa retrospetiva até hoje realizada do seu trabalho, reconhecido com a atribuição do Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA).

No seu trabalho, combinava vários suportes, desde a pintura, a fotografia, o desenho, o vídeo, o som e a performance.

Pelas mesmas razões, o dia de hoje foi escolhido para o lançamento do livro “Julião Sarmento — The Complete Film Works”, pela Escola das Artes da Universidade Católica, no Lux Frágil, às 23:00, onde será exibida uma seleção das 51 obras de imagem em movimento criadas pelo artista ao longo da carreira, contidas na publicação.

Este livro em homenagem a Julião Sarmento, editado por Nuno Crespo e desenhado por Pedro Falcão, é editado pelo Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da Escola das Artes da Universidade Católica e pela Documenta — Sistema Solar.

O livro reúne a identificação, imagens, fichas técnicas, sinopses e transcrições de 40 obras ainda existentes, e a memória de 11 obras que foram destruídas e das quais não restaram cópias.

A obra “é um reconhecimento do trabalho extraordinário que Julião Sarmento desenvolveu com imagens em movimento”, salienta Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes – citado num comunicado da organização divulgado em outubro -, e responsável pela coordenação do livro, que reúne, pela primeira vez, todas as obras do artista em filme e vídeo, num catálogo exaustivo.

“É também uma homenagem e agradecimento a tudo o que o Julião nos ensinou”, acrescenta Nuno Crespo sobre um artista que começou a colaborar com a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa em 2017, primeiro numa exposição com o título “Julião Sarmento. Film Works”, onde se juntaram a maioria dos seus trabalhos em filme e vídeo.

Essa primeira exposição foi o ponto de partida para a origem do livro, cujos primeiros passos foram ainda acompanhados pelo artista.

Com conceito gráfico desenvolvido pelo Atelier Pedro Falcão, o livro tem textos inéditos do curador Delfim Sardo, administrador do Centro Cultural de Belém, com o pelouro da programação, Kerry Brougher, diretor fundador da Academy Museum of Motion Pictures em Los Angeles, e de Chrissie Iles, curadora do Whitney Museum of American Art, de Nova Iorque.

Conta ainda com um portefólio fotográfico de Carlos Lobo e uma entrevista de Nuno Crespo e João Pedro Amorim ao artista, sobre o seu trabalho em imagem em movimento.

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