Segundo o Instituto do Cinema Audiovisual (ICA), estes dados refletem "um ano marcado por profundos constrangimentos" na exibição cinematográfica, por causa da pandemia da covid-19, com as medidas restritivas a afetaram "profundamente o normal funcionamento dos recintos de cinema".

O ICA revela que, em 2020, as salas de cinema tiveram 3,77 milhões de espectadores, quando em 2019 tinham sido emitidos 15,5 milhões de bilhetes.

As receitas de bilheteira situaram-se nos 20,4 milhões de euros, um quarto do valor de 2019, ano em que totalizaram 83,1 milhões de euros.

Embora sejam ainda provisórios, os dados atestam uma quebra geral de 75,55%, confirmando que 2020 foi o pior ano para a exibição cinematográfica em sala pelo menos desde que o ICA sistematiza os dados estatísticos reportados pelos exibidores.

Em 2020, por causa do primeiro período de confinamento decretado em Portugal, as salas de cinema - assim como toda a atividade cultural com público - estiveram encerradas entre meados de março e início de junho.

A reabertura deu-se de forma gradual nas semanas seguintes, mas as quebras de audiência e receitas foram variando mensalmente entre os 60 e os 90%, fosse por retração de consumo, por redução de sessões ou de oferta de filmes em cartaz.

Os dados do ICA revelam ainda que, apesar da quebra generalizada, o público consumiu, percentualmente, mais cinema em salas exploradas por pequenos exibidores independentes do que nas maiores cadeias.

Segundo as estatísticas, a exibidora Medeia Filmes, que explora, por exemplo, o cinema Nimas, em Lisboa, registou 228.116 euros de receitas de bilheteira (menos 31,7% face a 2019) e 43.539 espectadores (menos 36,9%).

A exibidora Midas Filmes, que detém o Cinema Ideal, também em Lisboa, teve uma quebra de 44,6% para um total de 19.733 espectadores e perdas de 46,9% de receitas, para um total de 103.457 euros.

A NOS Lusomundo Cinemas, líder de mercado com 207 salas de cinema, somou 75% de quebras, totalizando em 2020 12,8 milhões de euros de receitas e 2,3 milhões de espectadores.

Olhando mensalmente para a exibição de cinema em sala, dos 20,4 milhões de euros de receita de bilheteira contabilizados em 2020 pelo ICA, 12,3 milhões de euros dizem respeito à soma dos meses de janeiro e fevereiro, quando ainda não havia registo de casos de covid-19 em Portugal.

É pela prestação desses dois meses que o filme "1917", de Sam Mendes, foi considerado o mais visto no mercado português em 2020. Estreada a 23 de janeiro do ano passado, a longa-metragem obteve 1,8 milhões de euros de receita de bilheteira, por cerca de 330 mil espectadores.

O filme português mais visto em sala em 2020 foi "Listen", de Ana Rocha de Sousa, estreado em outubro em plena pandemia, mas que capitalizou os prémios obtidos semanas antes no festival de cinema de Veneza (Itália), acabando por contabilizar 41.403 espectadores.

Até outubro, o filme português mais visto tinha sido "O filme do Bruno Aleixo", de João Santo e Pedro Moreira, estreado em janeiro, e que somou 24.190 espectadores.

Em 2020, foram exibidos 832 filmes em sala, dos quais 230 foram em estreia. Em 2019 tinham sido 1.191 filmes exibidos, 392 em estreia.

Do total de filmes exibidos, 126 foram de produção portuguesa, dos quais 24 em estreia, vistos por 133.847 espectadores, que representa uma quota de mercado de 3,5% da audiência total.

Em 2020 realizaram-se 274.284 sessões de cinema, o que significa que em cada uma estiveram, em média, 13,7 espectadores. No ano anterior, a média situou-se nos 23 espectadores.

O ICA verifica ainda que, no ano passado, foram produzidos 49 filmes portugueses com apoio financeiro deste instituto, o que representa uma quebra de 17 obras produzidas face a 2019.

O número de espectadores de cinema é divulgado mensalmente pelo ICA, desde 2004, com base em dados de bilheteira.

Antes da informatização do sistema, o número de espectadores era estimado pelo Instituto Nacional de Estatística, a partir do Inquérito aos Espetáculos Públicos (até 1998) e do Inquérito ao Cinema (1999-2003).

[Notícia atualizada às 16:31]

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