Carlos Tê, Sérgio Godinho, Samuel Úria e a novidade Capicua são alguns dos colaboradores que fazem parte das “várias energias novas a contaminar este disco”, segundo a vocalista Manuela Azevedo, que apontou o início do próximo ano para a data de lançamento do novo trabalho, ainda sem título.

“Não sabemos o que [o disco] traz de novo, ainda o estamos a construir. Estamos em estúdio, a gravar algumas canções que vão subir a palco no Douro Rock. Estamos um pouco nervosos com isso, mas ainda bem. Há algumas coisas diferentes, temos experimentado coisas novas e maneiras diferentes de construir as canções”, explicou.

Manuela Azevedo realçou que a forma como o músico, produtor e compositor Hélder Gonçalves trabalhou essas composições foi numa “tentativa de simplificação”, apesar dos sons “bastante eletrónicos e distorções violentas”, mas na quantidade de vozes e “elementos de composição, fê-lo de forma mais clara e simples”, admitindo que o resultado tem sido “fixe, interessante e divertido”.

Em 27 anos de banda todos se entregavam “ao trabalho com os Clã” e, apesar de não haver “exclusividade dos elementos e haver espaço para outros projetos”, a banda era o foco principal.

“Sempre que aparecia uma ocasião de entrar em estúdio ou preparar um projeto, sabíamos que a concentração teria de ser total. Quando começou a precipitar-se essa urgência, dois elementos estavam à mão com projetos pessoais que não permitiam o foco total e saíram da banda por não terem a disponibilidade necessária”, referiu Manuela Azevedo sobre as saídas do baixista Pedro Rito e do baterista Fernando Gonçalves.

Para esses lugares entraram Pedro Santos e Pedro Oliveira, respetivamente, inicialmente para ajudar a cumprir os espetáculos agendados, mas com a possibilidade de essa colaboração se estender, com a vocalista a elogiar o trabalho desenvolvido pelos músicos na aprendizagem das músicas novas e antigas, e a destacar o bom ambiente nos ensaios.

Questionada sobre se este novo longa-duração é uma nova fase na musicalidade dos Clã ou uma continuidade, Manuela Azevedo admitiu não saber a resposta, mas esclareceu que o que anima a banda é “ver coisas novas”.

“Nesse sentido, a novidade era uma necessidade. Estarmos a trabalhar com dois músicos novos, com maneiras diferentes de tocar e escutar está a ser muito interessante, revitalizante e estranho. Quando se trata de canções antigas, ter um ‘input’ novo de dois músicos importantes nas canções, [tem] algo de refrescante”, desenvolveu.

O concerto de sexta-feira no Douro Rock vai contar com a estreia de, “pelo menos, quatro novas canções”, algo que “anima e assusta” a banda que procurou também no repertório “canções incontornáveis e outras que tenham a ver com esta nova energia e fase da banda”, num trabalho delicado para que o alinhamento faça “sentido em termos de energia e emoções”.

Já o futuro, esse passa por “continuar a fazer música” e perceber como “se chega às pessoas”, porque há “muita coisa que mudou na relação das pessoas, não só com a música, mas a forma fragmentada como se relacionam com tudo, até com a informação e realidade”, faz com que “seja um desafio para os músicos perceber como se chega” a quem os quer ouvir.

“Essa descoberta de outra forma de comunicar está a ser um dos grandes desafios para uma banda como os Clã que começou noutra época, em que havia editoras a contratar bandas por quatro discos. Comprava-se música e não a experiência de ouvir em ‘streaming’. Há toda uma variedade de experiências novas relacionadas com a construção e a vivência que é um desafio para qualquer banda”, finalizou.

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