Com encenação de Marcos Barbosa, o espetáculo vai estar em cena de 13 a 16 de janeiro na Escola do Largo, em Lisboa, e a 28 de janeiro no Teatro-Cine de Torres Vedras.

“É uma peça original, nova, inédita, que parte de um episódio de ‘Hamlet’, que é o dos coveiros, um episódio cómico que, alias, é quase uma pecinha dentro da grande peça de Shakespeare”, contou o escritor à Lusa.

A ideia de escrever este texto era já antiga e foi uma “conjugação de vontades” que levou à sua concretização, já que o encenador Marcos Barbosa, diretor artístico da Escola do Largo, “também está nesse percurso” de se aproximar da peça “Hamlet” e fez alguns espetáculos baseados em Shakespeare, dando-se a “circunstância feliz” de ter saído uma nova e “bela tradução” de “Hamlet”, por Gualter Cunha, destacou.

“Pensámos também que, em altura de pandemia, uma peça em que os coveiros e o bobo de ‘Hamlet’ de Shakespeare olham para a morte com uma certa comédia, um certo riso, uma certa graça de atores, isto era um bom antídoto para a espécie de listagem quase obscenamente numérica de mortes da pandemia e de podermos voltar ao teatro e à vida com essa sabedoria que vem de Shakespeare”.

Sobre a peça, Jacinto Lucas Pires adiantou que vai haver surpresas, comédia, mas também questões sérias, e que “há muito espaço para o prazer do teatro, do jogo teatral dos atores inventarem um mundo mesmo à frente [do público], muitas vezes sem mais nada do que palavras e corpo”.

Segundo a sinopse do espetáculo, em cena dois homens cavam e conversam, enquanto diferentes pessoas vão aparecendo, não se sabe de onde ao certo: do mundo que se imagina existir fora do cemitério? Das imagens que a conversa dos coveiros evoca?

Certo é que essas pessoas trazem diferentes perspetivas, experiências e linguagens, e aos poucos, o público vai-se dando conta de que vêm de tempos distintos, que poderão bem ser fantasmas e que talvez só a morte revele o que há de único e especial em cada uma delas.

“Coveiros” é um texto que fala da vida “do ponto de vista da morte”, para usar uma expressão do dramaturgo Vicente Sanches, que Jacinto Lucas Coelho considera “bastante apropriada para esta ideia de peça”.

“A pandemia também nos trouxe [isto]: podemos olhar para a vida com novos olhos quando percebemos que somos mortais, quando nos damos conta de que a vida é presencial. E o teatro é isso, voltar ao teatro é voltar a esse prazer de estar vivo”.

E esta realidade mostra uma vez mais a intemporalidade de Shakespeare, mas, tal como todos os outros “grandes mestres que estão sempre vivos”, não basta estar só “a dizer ámen ao monumento dos clássicos”, é preciso “fazer alguma coisa por levá-los para o futuro”.

Para o escritor, manter vivos os grandes nomes da literatura universal “implica [ressuscitá-los], implica ir ao teatro, implica fazer teatro, implica que os poderes considerem isso importante e que deem condições e dinheiro aos teatros e às artes”.

“Coveiros” conta com as interpretações de Raquel Silva, Joana Pialgata, Pedro Moldão, Pedro Fontes e Marcos Barbosa.

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