“Era uma vez no Espaço” era o título de uma série franco-japonesa criada em 1982 que, misturando a vertente educacional, narra o confronto de grandes potências galáticas e as aventuras de seis heróis. Pegando nesse ícone dos desenhos animados e no tema, Espaço, saltamos para o Terreiro das Missas, Estação Fluvial de Belém, em Lisboa. Ali decorre a Exposição Cosmo Discovery.

José Araújo, produtor, vestido com um casaco da NASA, agência espacial norte-americana, é o comandante nesta viagem pelo passado, presente e futuro da aventura espacial soviética (e russa) e dos Estados Unidos.

Das primeiras missões, a ida à Lua, aborda o “contexto político no auge da Guerra Fria e a importância da corrida da era espacial”, retratando igualmente “o início do fim da mesma com soviéticos e americanos a encontrarem-se no Espaço”, os feitos, falhanços, os heróis, a atualidade e o futuro em Marte.

Distribuída por seis salas, 2.500 metros quadrados, 200 objetos de missões norte-americanas, soviéticas e de outras agências espaciais e muitas histórias da exploração espacial convidam à visita. Há réplicas com “um detalhe assustadoramente real” e peças e objetos originais que “estiveram mesmo no espaço”, garante José Araújo. Em relação às réplicas esclarece. “Americanos e russos não deixam sair as naves”.

Se a Apollo “demorou três dias a chegar à Lua” hoje uma “nave entra em órbita em 8 segundos”. Ao sabor de mais ou menos Gravidade, percorrer o Espaço em terra não demora mais de “1h30m” e tem um preço: entre os 10 e 16 euros.

Um motor que foi à Lua encontrado no fundo do Oceano Atlântico

Júlio Verne, autor, entre outras obras, “Da Terra à Lua (1865)”, dá o mote à entrada. José Araújo não se cansa de falar dos heróis que deram início a esta epopeia. Von Braun, pioneiro alemão na construção de foguetões e os primeiros homens a irem ao Espaço, o soviético Iuri Gagarin, e os norte-americanos Alan Shepard e John Glenn, cuja réplica da nave, a Mercury, “a primeira a lançada só com um astronauta” é uma das “jóias” da exposição. “Os astronautas não eram grandes e cabiam naquele espaço”, ressalva.

A “guerra” pela conquista do espaço entre soviéticos e americanos tinha reflexo também no mundo animal. Dai a presença da cadela soviética Laika, o primeiro ser vivo na órbita da Terra (1957) e de Enos, o primeiro chimpanzé (norte-americano). “A comunidade científica na altura não acreditava que os seres humanos pudessem sobreviver, daí o envio de animais”, explica.

Colocar o Homem na Lua era o objetivo. José Araújo destaca o motor F1 do foguetão Saturno V “com mais de três milhões de peças e que consome três toneladas de combustível por segundo”. O motor “original foi resgatado no fundo do Atlântico”. Para além do modelo da nave que custou “um bilião de dólares” há “uma réplica” do comando Apollo e do Lunar Rover “o carro que andou na Lua”.

A garrafa de vodka de Gagarin e o tempo em que as meias brancas estavam na moda 

Nesta conquista lunar é interessante ver o que o Homem transportava consigo. A começar pelas necessidades mais básicas. Das várias missões Apollo há refeições liofilizadas, flocos de cereais atum e bolachas de água e sal. “No Espaço o peso é tudo. Tirava-se o líquido da comida para ficar mais leve, e depois voltava-se a colocar água”, explica. “Os russos levavam vodka e caviar”, diz José Araújo a sorrir.

Há kits de higiene e fraldas usadas no espaço. “É interessante perceber o que a tecnologia utilizada nas missões viria a beneficiar a nossa sociedade”, refere. E para quem ainda duvide que o Homem foi mesmo à Lua “há câmaras Hasselblad e um gravador de voz usado pela primeira vez na missão Apolo 7”, ri.

De entre os objetos pessoais usados no quotidiano no Espaço, para mostra há as meias brancas de Donald Slayton, o cantil onde Yuri Gagarin levava vodca, uma minúscula harmónica levada para o espaço por Wally Schirra, um relógio Omega e um maço de tabaco da Philip Morris utilizado no primeiro voo internacional Apollo-Soyuz.

Coca-Cola e Pepsi-Cola numa luta comercial que foi até ao Espaço

Os fatos de astronautas e cosmonautas, “originais” estão presentes um pouco por toda a exposição. O de Charlie Duke, usado na missão Apolo 16, e do sétimo homem a caminhar na Lua, e de David Scott, em 1971, durante a Apolo 15.

O fato Apollo “pesa 82 kg em terra e 14 kg na lua”, explica José Araújo virando especiais atenções para o equipamento soviético. “Esta espécie de mochila que tem oxigénio e permite, pela primeira vez, ao astronauta ou cosmonauta, estar fora da nave sem, digamos, o cordão umbilical”, explica. Em relação aos fatos da Estação MIR dá uma explicação técnica: à sombra são 250 graus negativos, mas se tiver virado para o sol são 250 positivos”.

Numa secção dedicada à exploração espacial russa podem ser vistos três módulos básicos originais da nave soviética Soyuz, atualmente utilizada no transporte de astronautas e cosmonautas para a Estação Espacial Internacional.

Dos vaivéns-espaciais norte-americanos assumem especial relevo duas latas de Coca-Cola e da Pepsi-Cola. Os gigantes das bebidas gaseificadas transportaram a “guerra” comercial lá para cima. “Os astronautas descobriram que as bebidas com gás, com a gravidade, levam-nos a bolçar. Mesmo sabendo disso a Pepsi insistiu e mandou uma lata também. Ninguém bebeu. Era uma questão de imagem”.

Uma cabine, “a parte analógica”, retratada ao “detalhe” e as “mesas originais” do centro controlo missão utilizadas até 1988, com as “notas da época” são exemplos vivos da era espacial. Para ser contemplado igualmente o cone de escape do motor, assim como um pneu dianteiro da Atlantis ou o primeiro computador portátil (IBM de 1978) usado em voos do vaivém espacial nos anos 80. “Queremos mostrar às pessoas que foi a miniaturização dos computadores nesta altura que permitiu que hoje tenhamos a tecnologia que temos”, assegurou.

A chegada a Marte

O motor com um sistema de propulsão do veículo Lunar Lander é destacado por José Araújo. “Os astronautas depositavam a vida nas mãos da engenharia, porque era apenas testado na partida”, recorda.

Com a chegada a Marte, aproximamo-nos do fim. Podemos ver uma réplica do robô Opportunity e “meteoritos raros”.

Por fim destaca ainda uma peça favorita: “um sistema solar feito por Carlos Joaquim que ajudou na montagem da exposição”. No final, um tributo. Um mural com os astronautas e cosmonautas que falecerem no Espaço, de 27-1-1967, com a Apollo 1 a 1-2-2003, com a Columbia, passando por Soyuz e Challenger.

José Araújo que diz ter conhecido Neil Armstrong, garante que o melhor que aconteceu ao ego foi ter um “rapaz de 12 anos a dizer-lhe querer ser astronauta”. Para quem quiser experimentar há como é ser um astronauta há um giroscópio ou um espaço com óculos de realidade virtual.

Ainda sem data de encerramento, José Araújo salienta que, nos próximos anos, a Cosmos Discovery vai estar em países como a Alemanha, a Espanha e o Japão.

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