“Tudo começou com a intenção de produzir sabonetes artesanais de uma base o mais natural possível”, explicou à agência Lusa Sílvia Bicudo, de 41 anos, adiantando que a iniciativa surgiu na sequência de um desafio lançado pela Azorina-Sociedade Gestão Ambiental e Conservação Natureza, entre outras entidades.

O desafio foi aceite pela artesã de Ponta Delgada, não apenas pelas características biológicas do fruto, como pela importância cultural que este tem nos Açores.

Segundo Sílvia Bicudo, engenheira biológica de profissão, o sabonete feito com ananás é consumido por um público-alvo que aprecia, predominantemente, produtos naturais, considerando que foi bem acolhido e o processo facilitado pela aceitação do fruto na cultura açoriana.

“O ananás faz parte da nossa cultura e tem propriedades fantásticas que colmatam e ajudam na manutenção da pele, como as vitaminas A, B e C, o que lhe confere uma ação antioxidante, protegendo as células, sendo também rico em minerais como o zinco, o cálcio, magnésio, fósforo e sódio, proteínas, fibras e hidratos de carbono”, afirmou.

De acordo com Sílvia Bicudo, a matéria-prima para a produção dos sabonetes são os desperdícios do ananás provenientes de uma exploração propriedade da família e outras unidades de produção.

“A ideia é utilizar, também, produtos regionais com o intuito de colmatar as limitações de compra de matéria-prima nos Açores para produzir os sabonetes sem que se ter que recorrer ao exterior, bem como promover os produtos açorianos”, referiu.

A artesã admite vir a trabalhar outros produtos regionais produzidos de forma biológica, para valorizar o produto açoriano, como o chá verde da Gorreana, na ilha de São Miguel, outro antioxidante com o qual já trabalha.

O ananás dos Açores, produzido de forma biológica, em estufa, ostenta a denominação de origem protegida (DOP) com base num regulamento comunitário e surgiu no arquipélago como uma cultura alternativa ao ciclo da laranja.

É originário da América do Sul e Central, tendo sido introduzido no arquipélago como planta ornamental em meados do século XIX. As primeiras explorações de caráter comercial surgiram em 1864.

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