“Quando começar a exercer funções, começarei a pensar nisso. O trabalho do Teatro Nacional de São João [TNSJ] será um trabalho de potenciação daquilo que foi feito e da herança que me é legada por diretores artísticos que tiveram muita força, cada qual à sua maneira”, disse Nuno Cardoso à margem do ensaio de imprensa da peça “Bella Figura”, que decorreu, esta tarde, no Teatro Carlos Alberto, no Porto.

O encenador, que teve como antecessores Eduardo Paz Barroso, Ricardo Pais e Nuno Carinhas (além de José Wallenstein, num curto período de 2001/2002), esclareceu ainda que a programação, que define o Ao Cabo Teatro, onde desde 2007 é diretor artístico, não vai influenciar a programação do teatro nacional do Porto.

“O Ao Cabo Teatro seguirá sempre 'a trinta' com toda a gente que não precisa de mim para fazer uma peça, e uma companhia tão forte ou ainda mais forte do que ela tem sido até hoje”, afirmou.

Nuno Cardoso sublinhou também o papel do TNSJ “na cidade, na região e no país”, e o legado dos seus anteriores diretores artísticos como Ricardo Pais, Eduardo Paz Barroso e Nuno Carinhas.

“Cada qual, à sua maneira, mas sobretudo o Ricardo Pais, pelo seu fulgor e Nuno Carinhas, pela sua delicadeza e forma como recriou o TNSJ, legam um teatro que é um marco, em Portugal e na Europa”, disse.

Nuno Cardoso, que assumirá funções em janeiro de 2019, acrescentou que “não parece sequer passível de pensar um serviço público como se pensa uma companhia independente, que também serve o público, mas que, de facto, é outra coisa”.

O recém-nomeado diretor do TNSJ tem uma carreira de quase três décadas, tendo sido coordenador de programação do Teatro Carlos Alberto, entre 2003 e 2007, quando o São João era dirigido por Ricardo Pais.

O encenador tem trabalhado autores como Shakespeare e Tchékhov, e encenado dramaturgos como Ésquilo, Sófocles, Molière, Racine, Henrik Ibsen, Friedrich Dürrenmatt, Federico García Lorca, Eugene O’Neill, Tennessee Williams, Lars Norén, Sarah Kane e Marius von Mayenburg, entre outros.

Paralelamente, Nuno Cardoso tem desenvolvido projetos teatrais de cariz comunitário ou envolvendo não profissionais, como os que concretizou no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, em 2001, a partir de “Ricardo II”, de Shakespeare, interpretado por jovens residentes no bairro da Cova da Moura (2207), ou “Porto S. Bento” (2012), com moradores do Centro Histórico do Porto.

“O despertar da primavera”, de Wedekind (2004), “Woyzeck”, de Büchner, no ano seguinte, e “Platónov”, de Tchékhov, em 2008, contam-se entre os trabalhos que encenou no TNSJ.

“Coriolano”, de Shakespeare (2004), e “Veraneantes”, de Gorky, em 2007, foram trabalhos da sua autoria em coprodução com este Teatro Nacional.

Com a encenação de “Demónios”, de Lars Norén, Nuno Cardoso recebeu o Prémio Autores 2016 da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), na categoria de melhor espetáculo.

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