Trata-se do primeiro estudo realizado a 14 museus nacionais, cujos resultados globais foram divulgados em 2016, e que serão individualmente anunciados a partir de quinta-feira, no Museu Nacional do Azulejo (MNAZ), em Lisboa.

Contactado pela agência Lusa, José Soares Neves, coordenador científico do estudo, indicou que, no perfil deste museu, os estrangeiros têm um grande peso, com os franceses, brasileiros e alemães a liderar as visitas, por esta ordem.

"Este estudo acrescenta nova informação sobre o que já se sabia sobre o perfil dos visitantes do Museu do Azulejo, sendo 82 por cento estrangeiros, na maioria mulheres, e com um nível de instrução e qualificação profissional elevados", disse o investigador.

José Soares Neves, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL), do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), liderou uma equipa científica ainda composta por Jorge Santos, Maria João Lima, Teresa Moura Pereira, Caterina Foà e Margarida Schiappa, enquanto a coordenação executiva esteve a cargo de Teresa Mourão, da DGPC.

Os investigadores do CIES-IUL concluíram que há 55 nacionalidades a visitar habitualmente o museu, 61 por cento são mulheres, com qualificação escolar elevada e desempenho profissional muito qualificado, e uma média de 45 anos, um pouco acima da média para todos os museus, que é de 42 anos.

O Museu Nacional do Azulejo tem por missão recolher, conservar, estudar e divulgar exemplares representativos da evolução da cerâmica e do azulejo em Portugal, promovendo a inventariação, documentação, investigação, classificação, divulgação e conservação e restaurado da cerâmica, em particular do azulejo.

Integra também a salvaguarda patrimonial da igreja e dos demais espaços do antigo Mosteiro da Madre de Deus, onde está instalado.

Questionado sobre as razões de tão grande atração de visitantes estrangeiros, José Soares Neves indicou que "reside no facto de o museu estar focado num objeto com características muito associadas à identidade portuguesa".

Relativamente aos visitantes nacionais, são essencialmente oriundos da Área Metropolitana de Lisboa, disse o responsável, acrescentando que "os portugueses têm muita oferta de museus, por isso diversificam muito as visitas".

O estudo - que teve o apoio mecenático da Fundação Millennium bcp e da Oni Telecom/empresa portuguesa de telecomunicações - foi realizado com base em dados obtidos através de um inquérito individual, realizado numa plataforma informática instalada no museu.

"Globalmente, a avaliação dos visitantes é muito positiva sobre as exposições, as coleções, a acessibilidade e a informação disponível", conclui a equipa de investigadores.

Sobre a importância da realização do estudo - que vai ter divulgação regular dos restantes museus até ao final do primeiro semestre de 2019 - o coordenador científico sublinhou que os resultados beneficiam a gestão dos museus e ajudam a orientar as políticas públicas para estes espaços.

"A realização e utilização destes estudos também acrescenta valioso conhecimento ao setor", comentou José Soares Neves, acrescentando que, "em Portugal, estão em falta este tipo de dados".

O Museu Nacional do Azulejo recebeu, durante o ano de 2017, um total de 193.444 visitantes, numa subida de 20 por cento face ao ano anterior.

Através das suas exposições e atividades, o museu dá a conhecer a história do Azulejo em Portugal, procurando chamar a atenção da sociedade para a necessidade e importância da proteção daquela que é uma expressão artística diferenciadora da cultura portuguesa no mundo.

O Estudo de Públicos de Museus Nacionais é o primeiro realizado no país que compreende uma amostra representativa - mais de 13.000 questionários validados -, alargado no tempo - 12 meses de recolha de informação - e com 14 museus abrangidos.

Os resultados deste estudo serão apresentados na quinta-feira, às 18:00, no MNAZ, em Lisboa.

Hoje, no seguimento das comemorações do Dia Nacional do Azulejo, celebrado a 06 de maio, o Fórum Cidadania Porto lançou uma petição pública pedindo o reforço das medidas de salvaguarda do património azulejar nacional, dirigida à Assembleia da República.

Os organizadores da petição - que contava com meia centena de assinaturas desde o lançamento, na manhã de hoje - defendem a criação de um pacote de medidas "adequado aos desafios que se colocam a este património", nomeadamente restringir a exportação de azulejos que estiveram previamente aplicados em imóveis, classificados ou não.

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