A exposição é o resultado da residência realizada por Anabela Soares no próprio museu, e faz parte do projeto Manicómio, dedicado a artistas com doenças mentais, da responsabilidade de Sandro Resende e José Azevedo, fundadores da Associação de Desenvolvimento Criativo e Artístico P28, que dão aulas de artes plásticas a doentes do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, há cerca de 20 anos.

Em comunicado, o Museu realça que foi “a primeira vez” que acolheu uma residência artística, e refere-se a Anabela Soares como “uma das artistas mais interessantes e em crescimento do panorama contemporâneo”.

“A cerâmica e escultura de Anabela Soares terá um núcleo expositivo próprio e contaminará de forma surpreendente a exposição permanente do Museu Bordalo Pinheiro, dialogando assim com a obra de Rafael Bordalo Pinheiro”, esclarece o museu.

Este diálogo faz parte da filosofia do projeto Manicómio, como explicou à agência Lusa Sandro Resende, que referiu que as várias exposições que estiveram patentes ao longo de duas décadas no Pavilhão 31 do hospital, dedicado às Artes Plásticas, nas quais obras de doentes foram expostas lado a lado com as de artistas consagrados.

Sobre Anabela Soares, de 49 anos, o responsável qualificou-a como “uma 'super artista' que muito tarde se revelou e que consegue pôr no trabalho uma carga emocional muito grande, e isso é muito difícil de se fazer na Arte, mas quando se faz com esta autenticidade que ela tem, e com esta honestidade, o resultado é sempre muito brilhante”.

A artista começou há cerca de quatro anos a trabalhar em arte, com a P28 no Júlio de Matos. Nessa altura, “começou a fazer uns peluches, porque ela nunca tinha tido um peluche até então”.

“E esses peluches eram esteticamente um objeto fantástico em termos artísticos, apesar de anatomicamente não serem perfeitos. E começámos a trabalhar por aí. Começámos a trabalhar com escala e com técnica e ela sai com umas esculturas fantásticas, que expusemos juntamente com o [Emir] Kusturica, e teve uma grande repercussão”, recordou Sandro Resende.

Anabela, que cria peças de cerâmica e escultura, “trabalha com as emoções que tem, com uma carga emocional muito forte” e a produção artística é para ela “quase uma descarga”.

“Ela produz bastante, trabalha todos os dias, cerca de cinco horas por dia”, partilhou.

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