“Vitalina Varela” teve estreia mundial em agosto passado, no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, onde arrecadou os prémios Leopardo de Ouro e Leopardo de melhor interpretação feminina para a protagonista, que dá nome ao filme.

Esta é a história de uma mulher cabo-verdiana que viveu grande parte da vida à espera de ir ter com o marido, Joaquim, emigrado em Portugal. Sabendo que ele morreu, Vitalina Varela chegou a Portugal três dias depois do funeral.

Pedro Costa conheceu Vitalina Varela quando rodava o filme anterior, “Cavalo Dinheiro”, acabando por incluir parte da história dela na narrativa e dando-lhe agora protagonismo na nova obra cinematográfica.

Quando recebeu o prémio, Pedro Costa afirmou, em declarações recolhidas pelo festival, que a distinção “é muito importante para as pessoas que fizeram o filme” e que poderia “abrir portas” para ser visto internacionalmente.

“Conseguir este prémio num festival como Locarno significa que tudo é possível, até para um filme feito sem dinheiro”, “pacientemente e cuidadosamente, de forma a que estes lugares e esta comunidade [em Lisboa] seja protegida pelo cinema”.

Para Pedro Costa, os filmes sobre esta comunidade cabo-verdiana, com a qual mantém uma relação há mais de vinte anos, não são documentários: “Estamos a fazer algo um pouco mais épico”.

“Falo de pessoas que vivem hoje no esquecimento, dormem nas ruas, são torturados. O cinema pode protegê-los, de certa forma vingar uma parte desta situação, porque pode ser exibido em qualquer lado”, disse.

Questionado sobre se neste filme existe alguma esperança, Pedro Costa admitiu que sim, por causa de Vitalina Varela: “Ela é uma força da natureza, do passado, do presente e também do nosso futuro”.

Depois de Locarno, o filme está a fazer uma “notável e inigualável carreira internacional”, refere a Midas Filmes, com a presença em 42 festivais, de Espanha à Austrália, da Alemanha à Coreia do Sul.

A estreia em território português será feita a partir do dia 31, em sete salas de Lisboa, Porto e Coimbra.

No dia 02 de novembro, estará em exibição em oito salas da rede de cinemas NOS de Almada, Aveiro, Braga, Cascais, Évora, Gaia, Oeiras e Vila Real.

Segundo a Midas Filmes, “Vitalina Varela” terá ainda estreia garantida também com cineclubes e em auditórios municipais em 14 outras cidades: Castelo Branco, Cartaxo, Vila Nova de Famalicão, Faro, Figueira da Foz, Funchal, Guimarães, Montemor-o-Novo, Santarém, Setúbal, Tavira, Tomar, Viana do Castelo e Viseu.

Na semana passada, Pedro Costa esteve em Madrid a apresentar, no âmbito do Rayo — Festival de Artes Visuais Expandidas, o espectáculo “As filhas do fogo”, feito em parceria com Os Músicos do Tejo.

Esta apresentação foi uma nova versão de outra, com o mesmo nome, apresentada há três anos na Fundação Calouste Gulbenkian, que atravessava mais de quatro séculos de música, com obras de compositores como Monteverdi, Kurtág, Pergolesi, Bach ou Schubert, entre outros, utilizando filmagens de Cabo Verde, feitas por Pedro Costa, durante a rodagem de “Casa de Lava”.

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