O direto no Instagram do SAPO24 começou sem Gisela, mas com muitos elogios ao kimono de Samuel Úria. Acontece que a fadista confundiu as horas e, para "queimar tempo", tinha começado na sua conta um vídeo onde tricotava para os seus seguidores. Temos a agradecer, portanto, a quem a alertou para o facto de Úria a aguardar (com a sua mãe a ver o vídeo), enquanto fazia o que num termo pouco jornalístico se chama de encher chouriços.

Num belo robe branco, sempre a fazer escapar um pouco de pele, eis que a fadista de Barcelos chegou, com uma energia contagiante e um ou outro palavrão pelo meio. Como na primeira edição das "Conversas de roupão com Samuel Úria", que voltam na próxima sexta-feira com um novo convidado, fazemos um apanhado do que perdeu e do que ainda pode rever — seja no vídeo que publicamos aqui ou no direto no Instagram disponível até às 17h00 deste sábado.

Sobre o roupão de Gisela

Úria trouxe uma versão japonesa do português roupão, Gisela esteve imaculada de branco  — está a parecer o rescaldo da Moda Lisboa, mas vai melhorar. A fadista, que disse ter vários exemplares em casa, contou o quanto gosta de usar esta peça de roupa "sexy", que lhe lembra os avós.

"Eu adoro roupões. O meu avô João, que era muito cómico, quando chegava a casa metia sempre o robezinho. Sempre com classe. E a minha avó também costumava dizer-me, 'filha, vai por um robinho'.

Úria quis saber como "é a rotina de uma estrela" 

São dois amigos a conversar, por isso é normal a pergunta ao jeito do "o que é que tens feito"? Neste caso, a curiosidade do cantautor foi pelo dia-a-dia da fadista. Para o "comum" saber como "é a rotina de uma estrela".

E ela respondeu:

"Na nossa profissão já estamos muito habituados a trabalhar a partir de casa, quando não tens concertos não tens um local de trabalho. Isso obriga-nos a métodos. Como trabalhei muitos anos no atendimento ao público, demorei a habituar-me a isso. E como me formatei tantos anos nessa rotina, tive de mudar os meus hábitos. Na quarentena, o que me deixa mais ansiosa é o facto de não conseguir fazer planos de futuro. E o que me salvou foi o facto de já ter as minhas âncoras para me conseguir organizar. Vou para a cama como se tivesse de me apresentar em algum sítio de manhã e acordo cedo. Não faço exercício todos os dias mas tento fazer no mínimo duas vezes por semana. Faço as refeições às horas certas. Isso já ajuda a sentir-me ativa. Mas tenho sempre imensas coisas para fazer em casa: faço croché e bordados, danço, invento receitas e vou tentando fazer músicas".

Como o "pedante" conheceu a "avózinha" e um elogio

À semelhança do que aconteceu na conversa com os Clã, em "jeito de entalanço" Samuel Úria perguntou a Gisela João se se lembrava de como se tinham conhecido. "Não me lembro muito bem, mas lembro-me de achar que eras um pedante de m****", respondeu ela.

"Acho Que Vais Gostar Disto" é uma rubrica do SAPO24 que lhe sugere o que ver, ler e ouvir.

Nesta conversa, os Gisela João deixou a sua sugestão para estes dias. Uma recomendação "leve", como a descreveu, porque é o que a altura pede.

  • Para ver: "Jane The Virgin", uma série "super cómica, já com várias temporadas, que vale mesmo a pena". Para além disso, a fadista recomendou que se vissem documentários sobre a natureza, "todos os que vos aparecerem", e sobre alimentação saudável, porque "saber não ocupa espaço".

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Úria dá então mais detalhes, conheceram-se no festival Bons Sons, em 2013, na hora do jantar. "Estava com o meu road manager e tu vieste a correr para nos cumprimentar. E trataste o meu manager, o Paulo Salgado, um matulão, por 'ó filho'. E eu pensei, olha que fixe, esta miúda tem vinte e poucos anos mas fala como se fosse uma avó".

Depois deste primeiro encontro, a amizade "firmou-se" num evento de poesia em Paredes de Coura. E como a avó de Gisela dizia, "não cuspas para o balde que ele depois cai-te em cima". Ela foi então ouvir e ler mais. Porque há diferenças, como explicou — e elogiou.

"No outro dia estava a falar de ti num outro direto. Há uma diferença muito grande entre ouvir as letras cantadas e lê-las. Muitas vezes uma letra cantada pode ser muito fixe, mas quando vais a ler na verdade não tem muito sumo. A tua escrita é sem tempo e sem género, e acho isso incrível. É isso que fica para sempre. Têm significado agora e daqui a cinquenta anos também vão dizer alguma coisa".

"Transtorno", o poema de Úria a que Gisela deu a voz 

O tema que conhecemos no passado domingo, num lançamento surpresa, faz parte de um projeto que os junta a André Tentugal (que se encarregou da música e do vídeo) e, apesar de ainda ser um pouco "enigmático", já tem nome: "Cápsula".

"Ainda não está completamente definido o que vai ser, o que é muito engraçado, mas anda a reboque de uma canção e de um conceito", explicou Úria.

Gisela deu mais detalhes. Tudo começou com a música composta por André Tentugal, mas "faltavam palavras". "Então fui procurar poemas e o teu encaixou logo, gravei e gostei. Sou muito autocrítica, e quando digo que gosto de alguma coisa...".

Devolveu, já com voz, ao músico e produtor do Porto, que lhe respondeu que ia fazer um vídeo. Aquilo que era "uma coisa só para nós" ganhou outras proporções e foi mostrada ao mundo.

Novidades da "Gisela oficial"

Saltando para a "Gisela oficial", palavras de Úria, quando inquirida sobre as novidades em nome próprio, a resposta foi curta: "Não me faças chorar". Gisela tinha disco, que já devia ter sido editado, mas face à situação atual do mercado e da indústria, ainda está na gaveta.

"Eu gosto muito do disco que fiz, mas ultimamente quando penso nele dá-me vontade de chorar. Não sei o que fazer com ele. Às vezes apetece-me lançá-lo já, porque as pessoas estão em casa e precisam de coisas novas, mas, por outro lado, há assuntos mais importantes na vida: comida na mesa e saúde. Ouves uma coisa hoje mas daqui a meia hora já estás a pensar na tua vida e no teu futuro. E não queria que as minhas músicas ficassem esquecidas".

A indústria e uma pandemia que destapou um buraco negro

No dia do trabalhador, não podia ficar de fora a situação "precária" que os músicos vivem nesta altura. Úria perguntou a Gisela como olha para esta realidade.

"Não consigo perceber qual é o caminho", respondeu, e foi mais longe.

"Sempre houve um buraco negro nesta área; com isto esse buraco veio ficar destapado. A segurança e a proteção para as pessoas que trabalham na área da cultura é muito pouca ou nenhuma. [Esta pandemia] veio agravar a situação e mostrar que esse problema já é um problema de fundo. A coisa que me deixa mais ansiosa, ultimamente, é não conseguir fazer projetos a longo prazo. Isso é assustador".

O que se promete ser guião, cumpre-se. Mas, tal como com os Clã, o músico tinha uma pergunta do SAPO24 na manga: Como será dar um concerto para uma plateia que deverá manter entre si o distanciamento físico?

A fadista fugiu ao cerne da questão, mas trouxe outro tema importante, também ele em formato de questão.

"Não sei como vão ser esses concertos. Imagina um promotor, se ele tinha uma sala de espetáculos que levava 600 ou 400 pessoas e agora só vai poder meter lá dentro 50 ou 80 pessoas, como é que se consegue pagar? Como é que consegues garantir que uma pessoa entra com máscara numa sala e que a meio não a saca para o lado?"


"Conversas de roupão com Samuel Úria" é a nova rubrica do SAPO24. Nas próximas sextas-feiras, pelas 16h00, o músico estará à conversa com um convidado escolhido por si no nosso Instagram.

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