“I’m your mirror”, que estará patente de 29 de junho a 11 de novembro, será composta por “cerca de 35 obras, 14 das quais novas”, incluindo uma máscara veneziana, “feita com 231 molduras de duplo espelho e que tem um peso aproximado de 2,5 toneladas” e um solitário, com “112 jantes de carro e 1.324 copos de cristal, que pesa cerca de três toneladas”, revelou a artista hoje, numa conferência de imprensa em Lisboa.

A máscara e o solitário são duas das obras que ficarão expostas no exterior do museu, tal como o “Pop Galo”, um gigantesco Galo de Barcelos em azulejo e luzes LED, que iniciou no final de 2016 em Lisboa uma itinerância por várias cidades do mundo.

No átrio do Guggenheim Bilbao, “o espaço central do museu”, ficará uma obra ‘site specific’ [feita de propósito para o local] da série ‘Valquírias’, com 30 metros de altura, 36 de largura e 45 de profundidade, que entra pelos cantos e ângulos que Frank Gehry [arquiteto que projetou o museu] desenhou para o Guggenheim”.

A peça está a ser construída no ateliê de Joana Vasconcelos, onde decorreu a conferência de imprensa de hoje, por várias equipas. “Egeria”, “uma homenagem à primeira mulher a escrever um livro das viagens que fez na Europa no século III”, começou a ser feita, por módulos, “há dois meses e demora cerca de dez dias a instalar, tanto como outras dez ou 15 peças”.

“São muitas horas de trabalho, é muito trabalho manual”, disse Joana Vasconcelos, sobre a peça que inclui tecidos portugueses, e outros que a artista coleciona pelo mundo, bordados, pedraria, lantejoulas e luzes LED.

Ao Guggenheim, Joana Vasconcelos irá também levar algumas das suas peças mais icónicas como “A Noiva”, um candelabro feito com tampões, ou “Marilyn”, um par de sapatos de salto alto feito com panelas, e outras peças das séries “Urinóis”, “Pinturas em crochet” e “Bordalos”.

A obra mais antiga que estará em exposição data de 1997, ano em que o Museu Guggenheim Bilbao abriu ao público.

“Tentámos que haja peças muito significativas de toda a trajetória da Joana Vasconcelos, mas também trabalhos novos”, referiu um dos comissários de “I’m your mirror”, Enrique Juncosa, que considera que obra da artista “casa o muito sofisticado com o popular”.

O título da exposição “é também uma homenagem a Nico [voz da canção “I’ll be your mirror” dos Velvet Underground]”. No título da canção, o verbo é usado no futuro (“serei o teu espelho”), mas no da exposição no presente (“sou o teu espelho”), porque a mostra “espelha o presente, não o futuro” e o trabalho da artista “é um reflexo do mundo que a rodeia”.

Esta exposição insere-se na “linha de pensamento curatória do Museu Guggenheim Bilbao, iniciada há quatro anos, de grandes exposições de mulheres artistas”, referiu Petra Joos, a outra comissária da mostra.

“São artistas com uma trajetória muito importante e uma voz muito importante no presente e no futuro da trajetória da arte”, referiu.

Joana Vasconcelos recordou a relação “forte e antiga” que tem com Espanha, país onde inaugurou a sua primeira exposição fora de Portugal, em Valência.

“Já expus muito em Espanha, tenho trabalhado com vários curadores espanhóis e quero destacar que, em 2005, fui a primeira mulher na primeira Bienal de Veneza comissariada por duas mulheres, duas espanholas”, disse.

“I’m your mirror” é a primeira exposição individual de um artista português no Museu Guggenheim Bilbao.

A artista tem uma equipa de cerca de 60 pessoas a trabalhar na produção da mostra, que está “preparada para uma itinerância”, estando “Petra Joos a trabalhar com Serralves e Roterdão para que a acolham”.

Este ano, a artista plástica portuguesa irá instalar duas obras de arte pública permanente em Paris e Nice.

A obra de arte pública para a cidade de Paris vai ser instalada na Porte de Clignancourt, e em Nice na estação de Ferber, no passeio marítimo da cidade.

Em 2012, Joana Vasconcelos tornou-se na primeira mulher e criadora mais jovem a expor algumas das suas obras no Palácio de Versalhes, em Paris.

A artista, de 46 anos, representou oficialmente Portugal na Bienal de Arte de Veneza em 2013, num projeto comissariado por Miguel Amado, que levou um cacilheiro transformado em obra de arte ao recinto principal da mostra internacional contemporânea.

O cacilheiro “Trafaria Praia”, que chegou a circular no Tejo para visitas turísticas, e é propriedade da Douro Azul, encontra-se à venda desde o final do ano passado.

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