Amina Rashid veio de Alepo. Esta jovem síria de 18 anos está há um ano e meio em Ritsona. Embora gostasse de estudar medicina, no campo de refugiados tornou-se jornalista, conta o El País.

Lighthouse Relief Hellas, uma ONG sueca, é a responsável por um projeto que dinamiza a vida no campo de refugiados: criaram uma revista, a Ritsona Kingdom Journal. Com este e outros projetos, há sempre a especial atenção no que diz respeito aos jovens, para que possam ultrapassar mais facilmente a situação.

Neste projeto, todos os jornalistas, fotógrafos e artistas são refugiados do campo, com idades entre os 15 e os 25 anos. A revista é impressa e difundida de forma gratuita entre todos.

Amina participou nas duas edições publicadas, uma em abril e outra em junho. E novas edições estão para breve. Na edição de abril, a jovem refugiada escreveu sobre moda. Em junho, tornou-se fotógrafa e registou pela sua lente o campo onde vive.

A Ritsona Kingdom Journal aborda temas diversos. Em abril, a ilustração da capa foi desenhada por Bassam Omar, um dos jovens do campo. Desenhou "a bandeira de Ritsona". O azul simboliza a Grécia, o vermelho a Turquia e o amarelo os refugiados que morreram no mar Egeu. Mas Bassam não é apenas ilustrador, também é o jornalista desportivo do campo.

Receitas, poemas, retratos, desenhos, fotografias enchem as páginas. E até há espaço para críticas sobre a situação na Síria.

A segunda edição tem na capa um desenho que mostra os países que participam na guerra da Síria. "As grandes nações estão a beber o sangue da Síria. Parem a guerra na Síria", apelam. Desenhos de material militar e as bandeiras dos Estados Unidos, Rússia e China são visíveis, bem como as siglas do Estado Islâmico.

"No início o propósito da revista era servir como uma via de expressão criativa para os refugiados de Ritsona. Através desta publicação os jovens podem partilhar qualquer coisa. O que publicam, e como o fazem, depende completamente deles", refere Aanjalie Collure, porta-voz da ONG.

A revista, cuja principal língua é o inglês para atingir mais pessoas, circula pelo campo e também já vai chegando ao exterior, principalmente através da Internet. Amina e Bassam são apenas dois dos jovens que veem na revista uma forma de suportar melhor os dias no campo de refugiados. Como eles, tantos outros. Porque a vida, mesmo longe da sua terra-natal, não pode parar.

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