"É com muita tristeza que comunicamos que, por motivos de força maior, a nona edição do festival Primavera Sound terá lugar entre 9 e 12 de Junho de 2022", refere a organização do festival, num comunicado hoje divulgado.

A "dolorosa" decisão de adiar novamente a 9.ª edição do festival, foi tomada "devido às incertezas que rodeiam a realização de grandes espectáculos nas datas originais do NOS Primavera Sound - 10 a 12 de junho -, que, adicionadas às restrições que existem actualmente, fazem com que não seja possível trabalhar com normalidade na preparação do festival nem assegurar a sua celebração".

"Apesar de dolorosa, sabemos que é a decisão correcta, especialmente para todos aqueles que têm de planear antecipadamente a sua viagem", afirma a organização, garantindo que manteve "contacto permanente com as autoridades locais e com a Direcção-Geral da Saúde, para explorar possíveis soluções".

A organização considera, no entanto, que "a nona edição do festival Primavera Sound merece ser celebrada como antigamente e as restrições a nível mundial fazem prever que isso não seja possível ainda este verão, pelo menos não da forma como deve ser vivida a experiência completa do festival".

À semelhança do que aconteceu em 2020, "todos os bilhetes adquiridos para a edição 2020 e 2021 são válidos para a edição 2022, podendo, naturalmente, o portador solicitar o seu reembolso a partir de 01 de Janeiro de 2022", tal como está definido na lei.

O cartaz da 9.ª edição, que para este ano incluía, entre outros, Tyler, The Creator, Gorillaz, Tame Impala e Pavement, será anunciado "até 05 de junho".

Em Portugal, há vários grandes festivais de música programados a partir de junho, entre os quais Rock in Rio Lisboa (junho), Alive (julho), em Oeiras, Super Bock Super Rock (julho), em Sesimbra, Sudoeste (agosto), em Odemira, e Paredes de Coura (agosto), no distrito de Viana do Castelo, mas os promotores querem saber em que condições os poderão realizar.

Em janeiro, associações representativas do setor dos espetáculos de música iniciaram reuniões, com a tutela da Cultura, e a presença da Direção-Geral da Saúde, em busca de soluções para retomar a atividade depois do confinamento, e tendo em conta o calendário de eventos na primavera e verão.

Na sequência das primeiras reuniões de trabalho, em janeiro, o promotor Luís Montez relatava à agência Lusa já algumas medidas para a realização de eventos com segurança: "É criar espaços, bolhas, livres de covid-19, que é 'só entra quem tem vacina ou tem teste negativo', além de outras medidas: 'cashless', copos recicláveis, álcool gel a ser distribuído em mochilas. Há várias ideias [como a] colaboração com vários laboratórios, no sentido de 'quem tiver bilhete, vai ao laboratório e faz o teste'".

Na semana passada, Luís Pardelha, da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE), explicou à agência Lusa que já foram feitas propostas para a realização de eventos culturais, com regras de segurança tendo em conta a pandemia da covid-19, mas nada foi ainda decidido. [

O grupo de trabalho criado para analisar o modo de retomar a atividade volta a reunir-se na próxima sexta-feira.

Luís Pardelha pede celeridade por parte do poder político em olhar para o setor: "Precisamos de tempo para preparar as coisas, as que puderem acontecer e mesmo as que não puderem acontecer. Não podemos ser confrontados com uma data de reabertura a poucos dias [de esta acontecer]".

Em fevereiro, várias associações do setor enviaram uma carta ao ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e à ministra da Cultura, Graça Fonseca, com medidas de apoio a uma atividade que "tem estado praticamente paralisada há 11 meses, e não existem ainda bases sólidas que permitam garantir a sua sustentabilidade".

A APEFE, uma das signatárias da carta e que representa cerca de 60 promotoras e entidades de espetáculos, defende quatro medidas, entre as quais uma linha de crédito específica e um seguro que cubra "pelo menos parcialmente as perdas" associadas a "eventuais restrições" decorrentes da pandemia.

Atendendo ao novo confinamento geral, iniciado a 15 de janeiro, e que se deverá prolongar até março, a associação defende que devem ser estendidas "as datas-limite para os reagendamentos dos eventos, validade e data prevista para reembolso dos 'vouchers' no caso de não uso".

"Temos esperança que não só o governo, como a Direção-Geral da Saúde entendam que, [se] não há condições para haver verão, ou que não haja verão dos maiores eventos, (...) se encontre alguma plataforma de entendimento para que o mercado consiga fazer algumas das coisas, ou que possam ser feitas em menor escala", disse.

O verão do ano passado decorreu sem os habituais festivais, com a Associação Portuguesa de Festivais de Música (Aporfest) a estimar uma perda de cerca de 1,6 mil milhões de euros, contra os dois mil milhões originados em 2019.

A APEFE, por seu lado, ainda antes de apurados os números do quarto trimestre de 2020, atestava que o mercado dos espetáculos registara uma quebra de 87%, entre janeiro e outubro, face a 2019, admitindo que a quebra poderia chegar aos 90%, no final do ano.

Os números concordavam com os das plataformas de venda de bilhetes para espetáculos, em Portugal: a BOL registou uma quebra de 91% no volume de vendas, enquanto a Ticket Line e a Blue Ticket disseram à Lusa terem registado perdas superiores a 80%, em 2020.

Portugal Continental está, desde o dia 15 de janeiro, num novo confinamento geral, devido ao agravamento da pandemia de covid-19, com os portugueses sujeitos ao dever de recolhimento domiciliário.

A medida levou ao encerramento de todas as salas e equipamentos culturais.

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