“Chiu! Temos um plano”, que acaba de sair pela Orfeu Negro e que motiva a passagem de Chris Haughton por Portugal, é um dos cinco livros ilustrados para infância que publicou na última década, pensados para pré-leitores e que, por isso, comunicam “de uma forma muito visual”.

Os livros de Chris Haughton estão mais focados na ilustração do que na narrativa textual – construída com poucas palavras e frases curtas -, mas a combinação de ambas é que dá força a cada história e provocam maior empatia com crianças muito pequenas.

Assim acontece com “Mamã?”, o premiado primeiro livro ilustrado do autor, protagonizado por um pequeno mocho que caiu do ninho, com “Boa noite a todos”, sobre um ursinho com dificuldades em adormecer, ou com “Don’t worry, little crab”, que acaba de ser publicado no mercado britânico.

“Para mim e para as crianças muito novas é mais divertido ter as duas coisas. Há algo mágico quando acontece! Tecnicamente podemos lê-lo sem ler as frases, mas adicionando as palavras dá força à história. Faz mais sentido livros que contam histórias por imagens, porque funcionam bem para crianças que ainda não falam. Comunicam de forma visual”, explicou.

As personagens de Chris Haughton são quase sempre animais – um mocho, um cão, um urso, um caranguejo – com exceção de “Chiu! Temos um plano”, o primeiro protagonizado por humanos, em sucessivas tentativas para capturar um pássaro.

“Prefiro desenhar animais, porque se desenhamos humanos temos de escolher especificidades, a cor do cabelo, os olhos, e eu não queria isso. Com o animal, as pessoas podem simpatizar mais”, disse.

Mas no caso de “Chiu! Temos um plano”, que apresenta agora em Portugal, a escolha recaiu em humanos. “Se fosse um animal, podiam pensar que era para comer o pássaro, mas é com humanos e eles querem apanhá-lo porque acham que é lindo”.

Chris Haughton, 41 anos, irlandês radicado em Londres, chega ao livro ilustrado sabendo que sempre quis ser artista, mas só depois de ter estudado design gráfico e de ter trabalhado muito em ilustração para imprensa e para publicidade.

“Foi muito difícil começar, mas consegui dedicar-me só a isso (…). Fiz outras coisas que me levaram à ilustração para crianças. Fiz voluntariado para uma empresa de comércio justo que gostou dos meus desenhos, fiz ilustrações que eu queria mesmo fazer, e fi-las de graça, viajei muito”, recordou.

No perfil profissional e pessoal sobressai uma consciência ativista e uma preocupação de agir localmente num mundo global.

Nessa perspetiva, associou-se a projetos sociais em territórios com fragilidades, como o Nepal, onde viveu. É lá, por exemplo, que são produzidos tapetes e brinquedos com imagem gráfica do ilustrador irlandês, com os lucros a reverterem para a comunidade local, seja para crianças, mulheres com incapacidades ou vítimas de violência.

Contando que demora cerca de dois anos a preparar cada livro, da ideia inicial à concretização final, Chris Hughton está a trabalhar, pela primeira vez, em dois livros ilustrados para leitores mais velhos.

Ao mesmo tempo, não consegue desligar-se da realidade. Acaba de fazer 14 ilustrações para o movimento pacifista Extinction Rebellion, de protesto por causa das alterações climáticas.

“Temos de fazer, participar, senão o que é que vamos fazer?”, pergunta.

Chris Haughton fará apresentações de “Chiu! Temos um plano” no dia 28 de manhã, na livraria Baobá, em Lisboa, e no dia seguinte à tarde na livraria Hipopómatos na Lua, em Sintra.

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